Thursday, July 5, 2007

O DEBATE ENTRE LULA E SÓCRATES

Para quem assistiu ao debate entre Lula da Silva e José Sócrates no passado dia 4 de Julho na RTP1 no final do telejornal, ficou admirado (pelo menos eu fiquei) pela disparidade acentuada entre o brilhantismo político de Lula e o apagão de Sócrates, há de facto uma diferença abismal na abordagem dos temas que interessam a Portugal á Europa assim como ao Brasil, Lula talvez pela sua tarimba como sindicalista demonstrou ser um homem eminentemente inteligente e negociador, com um domínio completo dos objectivos que propõem para a nação brasileira, e não só, assim como para todos os países da América Latina e o Continente Africano, com o desenvolvimento da agricultura das oleaginosas para efeitos da implementação das novas energias alternativas ao petróleo como o biodiesel, enquanto que Sócrates andou quase sempre a reboque de Lula, ou seja, enquanto que Lula revelava criatividade no seu discurso, Sócrates limitava-se a repetir aquilo que Lula acabava de referir.

A determinada altura, notou-se que Sócrates acusou o toque, ou seja, viu-se tão perdido com o brilhantismo de Lula, que teve a preocupação de chamar atenção dos telespectadores para dessa forma, limpar certas teias de aranha que o estavam a perturbar, e então disse: “Lula é um homem da esquerda moderada”, para que não restassem dúvidas nos telespectadores, não vá o diabo tecê-las.

Mas Lula, como não anda na política há dois dias como Sócrates, teve logo a preocupação de afirmar que era um grande amigo de há muitos anos de Hugo Chaves presidente da Venezuela, o que deixou Sócrates de imediato desconcertado, pois ele, que tanta preocupação e mal estar teve em aparecer num poster ao lado de Chaves aquando as eleições na Venezuela.

Tudo isto, demonstra que somos um país conservador, de muitos preconceitos de vária ordem.

Somos muito prontos apontar o dedo aos homens e mulheres da esquerda, sobretudo comunistas, mas, toleramos tudo que de mau porventura venha dos homens e mulheres da direita, naturalmente que isto tem uma explicação sociológica e cultural, pois não foi em vão que tivemos um “Estado Novo” durante 40 anos e os efeitos estão para durar.

No comments: