Wednesday, August 6, 2014

RESPOSTA AO MEU AMIGO RUI GRAÇA MOURA


COMENTÁRIO DO MEU AMIGO RUI GRAÇA MOURA
Manuel, não deixa de ser curiosa a maneiro como o meu amigo responde quando interpelado, se a resposta fugir aos cânones da resposta tradicional do P.C.P. ou for incómoda q.b., o Manuel responde com chavões! Se não, vejamos, passo a demonstrá-lo:
• Em relação ao facto de o Hamas ser uma força completamente reaccionária e tudo o que defende estar nos antípodas do que defende o P.C.P e, já agora, o mundo ocidental civilizado, responde absolutamente nada!
• Em relação à CONTRADIÇÃO MONUMENTAL de apoiar um movimento mas não os seus métodos, a sua resposta é igual a zero! E este ponto era o mais importante e aquele que demonstrava como é inconciliável, incoerente, indefensável e frágil intelectualmente o que defende! Essa afirmação é em si mesma refinadamente maquiavélica!
• Quanto à CISÃO provocada no comunismo internacional pela assinatura pela antiga U.R.S.S. do Pacto Germano-Soviético com os Nazis de Hitler – o meu amigo responde absolutamente zero!
• Quanto à prisão de David Olmert que em si mesmo é uma demonstração cabal da força da democracia em Israel– moita carrasco, nada!
• Quanto ao facto de Israel ser uma democracia no meio da barbárie – resposta igual a zero!
• Quanto à eficácia dos Kibtuz versus a ineficácia dos Kolkhoses – comentário zero!
• Quanto ao facto de a esquerda apoiar o Hamas, a única resposta que o Manuel consegue balbuciar é que a esquerda apoia o Hamas – facto que estamos cansados de saber e que não acrescenta nada mas ainda bem que o reconhece, mas o que não diz é que a esquerda apoia o Hamas por preconceito ideológico e por, por princípio, ser contra o que é ocidental e os seus valores, ou não fosse o Ocidente completamente capitalista, sistema em relação ao qual a esquerda está em desacordo por princípio e tudo o que sirva para o fragilizar e fustigar é bom para a causa, já se esqueceu-se da “débâcle” total do comunismo, ou, por teimosia e arrogância intelectual – nunca o quis aceitar, tem a memória curta, o problema é que para apoiar o Hamas tem que negar os principais valores porque diz reger-se, enfim, uma pequena contradição… !
• Quanto à acusação que faz de que “a direita apoia os nazis”, afirmação da sua responsabilidade e que gostaria que me explicasse porque não sei a que direita se refere nem a que Nazis se refere, como sabe, há várias esquerdas, conforme há várias direitas… se se refere ás democracias ocidentais, relembro-lhe que foram elas que em 1945 derrotaram o NAZISMO e o FASCISMO, com o apoio da U.R.S.S., sem dúvida, mas foram elas as responsáveis pelo seu fim… se se refere aos israelitas como nazis, relembro-lhe que eles foram as vítimas do holocausto e que são a única democracia no Médio Oriente, ora, democracia e nazismo são incompatíveis, o nazismo é um regime político totalitário, tal qual o comunismo!
• O actual governo de Israel, tal qual todos os anteriores, foi eleito pelo povo. Se quer dizer que Israel não devia actuar como actua em Gaza – não é essa a opinião dos israelitas que apoiam esta intervenção numa maioria esmagadora – o que não invalida o que já lhe disse várias vezes: é uma calamidade!
• Se me vai falar na votação da maioria no parlamento contra a moção que condenava Israel – já lhe disse várias vezes que não sou advogado de defesa deste governo nem desta maioria, o que não me impede de pensar pela minha cabeça e de não usar chavões!
• Por fim, Manuel, não vale a pena continuar esta discussão se não for capaz de responder a estes pontos que bem sei são incómodos que chegue para si, mas para quem passa a vida a acusar os outros de não responder, convenhamos que dava algum jeito se respondesse… Abraços.


RESPOSTA AO MEU AMIGO RUI GRAÇA MOURA - Caro amigo Rui, vou procurar responder uma vez por todas às questões que levantou. E começaria por ir diretamente ao assunto, sem rodriguinhos como diz. Vai ver que não lhe respondo com “chavões” como me acusa, a menos que defender as minhas ideias, para o meu amigo sejam “chavões”, se assim for, lamento. O Rui, começa por fazer juízos de valor, para não lhe chamar juízos xenófobos ou racistas, quando por exemplo classifica de reacionário o Hamas que foi legitimamente eleito pelo seu povo, um povo cujo a sua cultura nada tem a ver nem de perto nem de longe, com a cultura dos países, classificados por si, de civilizados. Queria lembrar que, estas precipitadas declarações, normalmente são classificadas como declarações da ideologia da extrema-direita. A contradição que diz existir é mais uma falácia sua, uma deturpação do que afirmei sobre o Hamas. O que eu disse, foi o seguinte: a esquerda não apoia os métodos do Hamas, muito embora, eles estejam a administrar a cidade de Gaza com legitimidade democrática, isto quando muito a esquerda apoia o povo de gaza vítima da saga assassina dos sionistas de Israel, que ocupam ilegalmente pela força das armas, um território que não lhes pertence ao abrigo do Direito Internacional. Ora, isto para quem está constantemente a enaltecer o Estado de Direito em Portugal é no mínimo muito estranho que não se preocupe com o Direito Internacional, a menos que o meu amigo, tenha dois pesos e duas medidas para utilizar conforme as conveniências. Para “variar” a URSS, tinha que vir à colação, não fosse o meu amigo um grande detrator dos regimes comunistas. E então, para chocar os leitores menos protegidos quer-nos prendar com o ónus do grande busílis da questão, ou seja o Pacto Germano-Soviético, mas, desiluda-se porque eu tenho outra versão histórica totalmente diferente da sua. É sabido que esse referido Pacto, que diga-se de passagem que é muito utilizado pela direita internacional para tentar denegrir o regime comunista, só que o tiro saiu-lhes pela culatra, vejamos: O Pacto Germano-Soviético, na invasão da Polónia, serviu de catalisador, armadilha, isco, ou cilada, como queira, montada pela U.S. aos nazis. Não foi um pacto tão simples e linear como a direita tenta fazer crer, a própria União Soviética também acabou por ser invadida pelos exércitos nazis, só que tiveram azar. O Pacto Germano-Soviético foi mais do que isso, para além dos países da Alemanha e União Soviética, envolveram-se interesses doutros países, nomeadamente tanto da Inglaterra assim como da França, interesses de ordem territorial e interesses de ordem política e estratégia militar, como se veio mais tarde a confirmar com a derrota dos nazis na União Soviética. Se assim não fosse nada nos garantiria que hoje vivêssemos num mundo livre. Quanto à cisão que refere no mundo comunista, com origem no referido pacto, tornou-se mais uma propaganda dos regimes hostis ao regime comunista, e se alguns intelectuais se afastaram, outros apareceram como é recorrente ainda hoje dentro do PCP. Portanto o alarido da dita cisão não compensou tanto como a direita tenta fazer crer. A prisão de David Olmert, dentro da democracia israelita, não passa de uma árvore a tapar a floresta, mais um simbolismo para produzir os efeitos pretendidos, por exemplo, neste debate. Não sei, mas, possivelmente trata-se de uma “persona não grata” para o regime de Israel. Temos alguns, muito poucos, exemplos semelhantes cá em Portugal, com certas figuras de colarinho branco, vão presas e outras, nem por isso, por maiores crimes, depois de serem detidas, saem em liberdade, como se viu recentemente, com Ricardo Salgado, Oliveira e Costa, Duarte Lima, entre outros. Por conseguinte, o exemplo da referida prisão de David Olmert, na dita democracia israelita, não surtiu o efeito desejado, pelo meu amigo. Diz o amigo Rui, que Israel é uma democracia no meio da barbárie, está enganado, Israel é a própria barbárie. O que se poderá chamar a um país que bombardeia e arrasa, por mar, terra e ar, sistemática e indiscriminadamente casas, escolas, hospitais, provocando para já cerca de 2000 mortos, sendo 1/3 dos quais crianças inocentes. Como se vê, quem são aqui os barbários? Fracamente Rui, o meu amigo parece que vive noutra galáxia, ou então os seus valores de sensibilidade humana, estão muito por baixo. Quanto à eficácia dos Kibtuz, não me prenuncio porque nunca os visitei, mas nem tudo serão rosas. Tal como diz o seu “compagnon de voyage” Ângelo Correia, é um erro crasso tentar comparar a cultura árabe com a cultura ocidental, no fundamental temos que os compreender e respeitar na sua cultura e convicções, sob pena de nos tornarmos xenófobos ou racistas. Numa-palavra: Temos que ser tolerantes. Nunca aqui ninguém disse, que a esquerda apoia os métodos utilizados pela administração do Hamas, não é verdade, o que quer dizer que não colide ou implique com o apoio ao povo mártir de Gaza, aliás, no meu texto essa questão está bem explícita. Mas pode-se dizer à boca cheia, que a direita apoia os métodos xenófobos e racistas utilizados pela administração sionista da extrema-direita de Israel. Isto de meter o nazismo e o comunismo no mesmo saco, não deixa de ser uma patetice ridícula, sobretudo para um historiador como o meu amigo, porque acaba num ápice de adulterar toda a história, sobretudo nas abismais diferenças das práticas ideológicas. Então, como se compreende que o meu amigo reconheça a derrota do NAZISMO e o FASCISMO, com o apoio da U.R.S.S., sem dúvida, e por outro lado venha dizer “que o fascismo é um regime totalitário, tal como o comunismo”, estamos perante uma contradição insanável, sem consistência. Rui, quero-lhe lembrar que os judeus vítimas do nazismo no holocausto, não tem, rigorosamente nada a ver com estes sanguinários que estão no poder em Israel, aliás, há muita gente israelita que não se reveem nestes terroristas da extrema-direita de Israel. Por isso, quando o meu amigo utiliza o chavão da "maioria esmagadora", não deixa de ser um dos seus grandes desejos, porque na realidade o povo de Israel também quer a paz, e recusa-se a ensanguentar as suas mãos, nesta carnificina. Só os fanáticos e terrorista da extrema-direita se vangloriam desta tragédia. Quando o meu amigo apoia a ação dos sionistas de Israel, por muito que queira disfarçar é disso que se trata, e por outro lado vem com “lágrimas de crocodilo” afirmar que o que está acontecer em Gaza é uma calamidade, eu sinceramente, fico baralhado com os seus paradoxos e contradições. Como vê, amigo Rui os seus pontos não são para mim nada incómodos como afirma, dir-se-ia que “o feitiço se virou contra o feiticeiro”. Para terminar espero ter correspondido às suas espectativas, pelas quais tanto ansiava. Um abraço, com amizade
Obs: O DEBATE CONTINUA NO MEU FACEBOOK

Monday, July 14, 2014

CARTA AO MEU AMIGO II

Rui, acusa-me de fazer uma descrição grosseira, rudimentar e injusta, só pelo facto de eu não acreditar na isenção dos historiadores, repare que a isenção de um historiador é muito subjetiva, é muito relativa, teria imensos exemplos que comprovam este facto, vou citar apenas um a título de exemplo : Quando assistimos a um acidente rodoviário, temos a nossa narrativa dos factos, outra pessoa que assistiu ao mesmo acidente tem uma narrativa muito diferente da minha. Há variadíssimos fatores de ordem psicológica, ideológica, e emocional, que se traduzem em narrativas diferentes entre historiadores. A História é contada segundo o nosso estado de espírito e a nossa vivência humana. Há um provérbio que diz “ quem conta um conto, acrescenta um ponto”. Quer o meu amigo comparar a História da Revolução Francesa narrada por Jules Michelet, historiador contemporâneo da Revolução, com a mesma História de François Furet que viveu no século XX, e acusa a Revolução Francesa de ser um mito ? Entende o meu amigo, que os historiadores portugueses da atualidade como Fernando Rosas é um historiador, compatível com o historiador Rui Ramos? Muitos mais exemplos podia referir. Toda esta introdução, para identificar os ditos “reputadíssimos historiadores” que o meu amigo referiu, aliás, todos eles reacionários e anticomunistas, uns mais do que outros naturalmente, mas, de todos quero destacar Alexandre Soljenitsin, conhecido figurão reacionário, contra a Revolução Socialista de 1917, na Rússia dos Czares. Quer o Rui convencer-me,que este
 mais escritor do que historiador, foi um exemplo de isenção ao narrar a vida dos dirigentes bolchevistas, sabendo-se que foi um grande opositor ao regime soviético ? Naturalmente, que este homem só podia dizer “bem” dos dirigentes, que viviam que nem nababos e usufruíam de grandes mansões de preferência com torneiras de ouro. Não é assim ? As campanhas da direita para com os ex. dirigentes comunistas, seria o mesmo que o meu amigo Rui passasse a elogiar Sócrates. Vejam só, até onde chega o ridículo desta gente (…) Agora com o mundial de futebol a direita reacionária, para o que lhe havia de dar (...) fizeram uma montagem de um vídeo supostamente com origem na Coreia do Norte, em que o “Querido Líder” Kim Jong- Un , através da TV local, proferia um discurso assim como a Coreia do Norte tinha sido campeã da Copa do Mundo no Brasil, quando todos sabemos que a seleção da Coreia do Norte, nem sequer, ficou apurada para a Copa do Mundo. Vejam lá, ao que chega a estupidez o anticomunismo e reacionarismo desta gente, se isto cabe na cabeça de alguém (…) Depois, vem a direita dizer que foi instituído, que todos os norte coreanos tem de cortar o cabelo como o do seu líder. Já nada me surpreende! A China, era outra fonte de chacota para a direita, agora lambem-lhe as botas. O que esta gente dizia do MPLA, agora lambem-lhe as botas, etc, etc
As cobras e lagartos, que esta gente dizia do camarada Fidel Castro, incluindo as variadíssimas tentativas do seu assassinato por 638 vezes desde a Revolução Cubana em 1959, incluindo a contra revolução com a “célebre” invasão da Baía dos Porcos, pelos americanos, sendo estes rechaçados pelo exército revolucionário de Cuba. E tudo isto, para travar a Revolução Socialista, dificultar a vida aos povos, sobretudo às crianças desses países, com destaque para o bloqueio norte-americano a Cuba, que dura aproximadamente, há 40 anos, onde não existe medicação atempada, e outros bens, só porque este povo decidiu optar por uma economia socialista em que o capitalismo se tornou residual, e é isto, que dói e aflige esta gente que beneficia de privilégios próprios dos países capitalistas, e tem receios que eles acabem.
O que esta gente da direita, logo após a Revolução do 25 de Abril, diziam dos comunistas, por exemplo: Que os comunistas, comiam criancinhas ao pequeno almoço, que os comunistas se fossem ao poder, davam uma injeção atrás das orelhas aos velhos. Afinal de contas, verifica-se agora, que este (des)governo PSD/CDS, come o pequeno almoço às criancinhas, e a senhora Chistine Lagarde, Diretora Geral do Fundo Monetário Internacional, (FMI), que é tudo gente da mesma família política, vem dizer que : “A longevidade é um risco financeiro”. Afinal, quem pretende aqui, dar uma injeção atrás da orelha aos velhos? É já sabido, essa “injeção” está em curso, nos hospitais e centros de saúde, com a falta de medicação nomeadamente nos IPOS, e nas doenças infeto contagiosas, hepatite C, cujo novo medicamento é considerado eficaz na cura desta doença. Afinal, segundo o (des)governo desculpa-se, da não existência desse medicamento por ser muito caro. Cá está, uma forma expedita deste (des)governo resolver o problema à senhora Chistine Lagarde.
Quando no meu texto supracitado procurei dar um exemplo do cronista Fernão Lopes no século XV, que para levar a vida fazia as crónicas favoráveis ao reino, ao qual o meu amigo respondeu que era obrigado a fazê-lo sob pena de lhe mandar cortar a cabeça. Apenas pretendi exemplificar que na contemporaneidade, com as devidas exceções, há, historiadores, escritores e jornalistas, invertebrados que mais não fazem do que cumprir as ordens de quem lhes paga, ou escrevem livros para negociar, e acabam por atirar com a isenção às urtigas, digamos que na atualidade há outras formas subtis, de “cortar cabeças” (…) o pior cego é aquele que não quer ver ! Não será assim ?
Rui, nunca me ouviu dizer ou escrever que o comunismo é impoluto, mirifico, salvador ou redentor, que o comunismo, não tem inconvenientes, naturalmente que os tem, mas, quero-lhe dizer: Que prefiro os inconvenientes do socialismo ao “paraíso” do capitalismo.
Afinal, quem anda aqui a fazer descrições grosseiras, rudimentares e injustas ? Um abraço, com amizade.

Saturday, July 12, 2014

MAS, QUE FÉRIAS ?

OS BANDIDOS DO PSD/CDS, QUE ESTÃO NO GOVERNO, CHUPAM-NOS ATÉ AO TUTANO.
O DINHEIRO QUE RECEBI DO SUBSÍDIO DE FÉRIAS, VAI TODO PARA IMPOSTOS, DO IMI E IRS !
AS MINHAS FÉRIAS, E DA MAIORIA DOS PORTUGUESES, VÃO SER UMA MERDA, COMPARADAS COM A DOS BANDIDOS.
DEPOIS, QUEREM-NOS CONVENCER QUE VIVEMOS EM LIBERDADE ! MAS, QUE RAIO DE LIBERDADE É ESTA ?

Tuesday, May 27, 2014

AS ELEIÇÕES, A ABSTENÇÃO E O (MAU) RESULTADO

27 de Maio de 2014 às 0:46
Há trinta e oito anos que os deputados, autarcas, presidentes de junta e militantes do PCP denunciam as aberrações, roubos e atentados, levados a cabo, pelos partidos do "arco do gamanço" ou "arco da dívida" (psd/ps/cds), contra o nosso país e os portugueses.
Quando, em 27 de Março de 1977, m. soares, que era chefe do governo, fez o pedido de adesão de Portugal à então CEE, o Partido Comunista Português contestou essa decisão argumentando que o povo português não iria beneficiar em nada dessa adesão, antes pelo contrário, iria sair a perder. No entanto, e apesar dos protestos do Partido Comunista os partidos da direita (ps/psd/cds) levaram o seu projecto para a frente e "presentearam" o PCP com "mimos" tais como:"O PCP é sempre do contra, protesta sempre tudo; fala muito mas não faz nada; só sabe é atacar o que os outros fazem" etc, etc.
Recordo que o PCP era a favor de uma Europa unida,  uma Europa como União de Povos mas o que estava "em marcha" era uma Europa como união de governos, que decidiam, entre eles o que queriam, sem respeitar a vontade popular. E foi o que aconteceu: entrámos numa Europa a "duas velocidades", com dualidade de critérios e em que os países ricos dominam e exploram os países pobres.

No dia 1 de Janeiro de 1986, o "sonho europeu" tornou-se realidade e Portugal entrou na CEE como "membro de pleno direito". A partir de então, e tal como o PCP tinha previsto, começaram os atentados a Portugal: foram impostas "quotas para a produção de leite, da fruta, do vinho, das pescas, do azeite... de tudo o que fazia parte da nossa produção nacional. Portugal tinha que enterrar toneladas de batata, de fruta, de leite, de vinho e de azeitona porque a CEE não dava autorização para que os produtos fossem escoados; as centrais leiteiras fecharam porque não se podia vender o leite. Era preciso escoar os produtos produzidos nos outros países e Portugal teria que dedicar-se ao Turismo. Num país com tanto sol não tinha sentido que os naturais se dedicassem à agricultura, à suinicultura ou à pecuária. Era preciso construir hotéis para que os turistas estrangeiros pudessem vir para cá usufruir do nosso sol e do nosso mar; depois "nasceriam" muitos postos de trabalho - nos hotéis haveriam muitas camas para fazer, muito chão para esfregar, muita loiça para lavar, muita mesa para servir, muita roupa para engomar e muitas malas para carregar. Para além disso iriam ser construídos extensos campos de golf e também aí seriam necessários braços para carregar os tacos de golf dos turistas, mãos para tratar, cortar e regar a relva e braços para carregar as bandejas com as bebidas frescas para quando os senhores tivessem sede. Portugal seria um destino turístico e ponto final.Depois seguiram-se outras ordens da CEE: arrancar oliveiras, para que o azeite italiano e espanhol começasse a ser vendido no nosso país; finalmente veio a Lei das Pescas: A CEE entendeu que a nossa frota de pesca estava velha e ordenou que fosse abatida. Os portugueses que vivem praticamente com os pés dentro de água estavam proibidos de pescar e teriam que comprar o pescado que vinha de fora. Os resultados desta política não se fizeram esperar: agro-pecuárias e centrais leiteiras encerradas, terras ao abandono, trabalhadores rurais e pescadores sem trabalho, o tecido produtivo português começou a decair, tal como o PCP previra.

Anos mais tarde, em 7 de Fevereiro de 1992, cavaco silva, então primeiro ministro, assinou o vergonhoso Tratado de Maastricht que estabeleceu o início da moeda única, o euro, que entraria em Portugal em Janeiro de 2002 e iria contribuir para que o custo de vida aumentasse exponencialmente, dificultando fortemente a vida da maioria dos portugueses.Também em relação à adesão de Portugal à moeda única, o PCP se opôs fortemente. Na Assembleia da República o Partido Comunista votou sempre contra a entrada do euro em Portugal, explicou quais as consequências que os portugueses iriam sofrer com o euro; explicou porquê e apresentou alternativas. Numa dessas vezes em que um deputado comunista (Lino de Carvalho, já falecido) estava a argumentar a esse respeito, um deputado democrata-cristão(?) virou-se para o Lino de Carvalho e disse-lhe: "Vocês comunistas, querem é impedir o povo português de ir em frente, no sentido do desenvolvimento e do progresso".
Já todos pudemos constatar o progresso e o desenvolvimento que o euro nos trouxe.Muitas têm sido as "batalhas" travadas pelos comunistas no que diz respeito ao que se tem passado no nosso país,relativamente a obras faraónicas, que resultam em fraudes e roubos ao erário público; privatizações escandalosas em que são dadas aos privados, partes importantes do nosso património, por meio-tostão furado; alterações ao código do trabalho, etc, etc, etc,. Enfim, durante estes 39 anos do pós 25 de Abril, nunca os comunistas se calaram e foram a única voz que denunciou sempre, frontalmente e sem medo, todos os atentados levados a cabo pelos partidos da direita, contra Portugal e os portugueses. Em resposta a essa luta e denúncia constantes ouviram-se respostas, tais como: "o PCP parece uma cassete, há 40 anos que diz sempre o mesmo; vejam lá se mudam o discurso porque já ninguém vos pode ouvir; como é que vocês querem atrair jovens para o vosso lado, se o vosso discurso é obsoleto? Mudem a cassete...".
Estas eram as frases mais ouvidas na A.República, nas tv(s), nos meios de comunicação social, nas mesas redondas e até na boca de muita gente do povo.

Ontem houve eleições para o Parlamento Europeu - Os portugueses foram chamados a votar, a expressar a sua vontade e a abstenção foi de 66,1%.
É vergonhoso; como se a abstenção resolvesse alguma coisa. Um povo que passa o tempo a protestar, a ser roubado, explorado, sacaneado e humilhado nos seus direitos mais elementares, ficou indiferente e deixou o seu futuro e a sua vida nas mãos dos carrascos.A casa está desarrumada e suja, todos têm consciência disso mas não fazem nada para limpá-la. Que raio de povo é este que prefere a euforia do futebol a exercer o direito de voto?

Hoje, um dia após as eleições para o P. Europeu, e depois de saber que Marinho Pinto conseguiu ali um lugar, foi com muita admiração que ouvi as seguintes frases a seu respeito: "Temos que reconhecer que o homem é corajoso, denuncia as vigarices sem receio de nada; diz as coisas às claras e na cara das pessoas; aquele é um homem de t.....s".

Faz-me muita tristeza e revolta esta dualidade de critérios, ou seja:
- os comunistas que SEMPRE denunciaram as vigarices, os roubos aos trabalhadores e ao erário público, a corrupção, os atentados ao património nacional e os assaltos aos nossos bolsos são a "cassete";
 - M. Pinto, que não passa de um demagogo, que enquanto Bastonário da Ordem dos Advogados aprovou para ele próprio um ordenado milionário; que se limita a dizer umas coisas "em voz alta" mas nunca denunciou, nem afrontou qualquer governo; que fez parte dos vigaristas do grupo de Macau, aquele em que estiveram metidos C. Melancia, Almeida Santos, Strecht Monteiro, Rui Mateus e outros "socialistas da treta", um grupo de corruptos  que foram denunciados pelo famoso fax enviado pela empresa alemã Weidleplan, em 1989 (lembram-se disto?), este mesmo, que fez tudo isto é apelidado como um "homem corajoso" e os portugueses trataram de arranjar-lhe uma reforma dourada.

Que tremenda injustiça...

Mas os comunistas não baixarão os braços, não desistirão de lutar como nunca o fizeram. Como diz Jorge Palma na sua canção:
"Enquanto houver estrada para andar,
 A gente vai continuar,
 Enquanto houver estrada para andar.
 Enquanto houver vento e mar,
 A gente não vai parar,
 Enquanto houver vento e mar..."

(Texto da autoria de Ana Sara Cruz)

Wednesday, April 23, 2014

25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS !

Este meu artigo estava destinado para uma certa cerimónia.
Mas quem sou eu para as cerimónias?
São vocês familiares, camaradas e amigos, a quem eu devo a minha dedicação e respeito. Viva o 25 de Abril! Viva o Povo Português!
Onde Estavas no 25 de Abril?!
O regime fascista estava a sofrer muitas contradições, o Povo começava a manifestar muita insatisfação pelo peso das responsabilidades que assumia para sobreviver.
Chefes de família desdobravam-se em tarefas mal remuneradas, desenvolvendo trabalho extra para atenuar as dívidas que acumulavam dia após dia.
Os melhores lugares estavam destinados para as mesmas famílias, com capacidades duvidosas, bastava o estatuto.
A escola era uma miragem para o Povo, embora muitos se tivessem aventurado a estudar de noite, levantando-se cansados para responder nas empresas às exigências que cresciam em cada dia.
Sempre que podiam os nossos jovens partiam para a emigração, mesmo clandestinos, por sentirem que a única garantia que tinham era a pobreza, porque como futuro tinham já a prova nas suas casas, os resultados de seus pais.
A fome, a pouca cultura e o medo permanente, obrigando muitos a venderem-se empenhando a consciência, para bajularem uma defesa de pessoa dita importante ou influente nas hostes dos coveiros do estado novo, fascistas, cabo de ordens ou regedor.
O domingo servia para recarregar as baterias, ouvir os relatos, jogar umas cartas e dominó no tasco mais próximo, bebendo uns copos para afogar a fúria sem direção, que se adormecia muitas vezes na convicção de que não tínhamos sido bafejados pela sorte.
Falar de política era muito difícil, pelo estatuto do medo, até porque quando alguma conversa se dirigisse na rua da contestação, seriamos logo abafados pelos restantes como que se fosse crime discordar ou queixar.
Lentamente começavam a saber que alguns faziam protestos, tanto nas escolas como nas fábricas e em muitos quartéis dos vários setores das forças armadas.
Levando em surdina a convocatória de boca a boca, com uns papéis impressos com stensil, num espaço clandestino dum qualquer vão de escada.
O sofrimento dos trabalhadores juntando o terror das mobilizações para a guerra em África, período em que os pais desejavam que nascessem filhas, para que não tivessem de fazer luto dos filhos aos vinte anos, depois de tantos sacrifícios por amor aos rebentos.
Estava criado um tempo e clima para que o povo se levantasse derrubando o governo fascista já velho e carregado de contradições.
Os monopólios são insaciáveis e algumas famílias portuguesas estavam a reagir para não dividirem a exploração com os novos grupos internacionais.
O reflexo das lutas, nas deserções, prisões arbitrárias, torturas, desterros e o sacrifício de muitos militantes do PCP, assassinados até em via pública, juntamente com outros democratas e patriotas, todos os que apontassem o dedo aos ladrões e coveiros do país e do Povo, os instalados no Terreiro do Paço.
O setor das artes gráficas, lidava com os livros, paralisava em todos os dias 1º de Maio, como feriado de setor, não como dia do trabalhador.
O propósito deste feriado interessava ao regime, para assim melhor controlar os impressos clandestinos que pudessem relevar a data como data mundial do dia dos trabalhadores.
O cansaço e revolta, começaram a tocar muitos mais setores da população, os sindicatos esforçaram-se por controlar a atividade dos descontentes, evitando o progressismo e criando problemas a quem denunciasse os abusos, passando a ser condenado a vitima, protegendo o patrão como rei e senhor, capaz de despedir sem consequências quem não bajulasse como escravo o seu poder.
Como corporativistas, informavam com urgência a PIDE/DGS para com lista fornecida e inventada pelo patronato via sindicato, inventando testemunhas falsas, sendo presos como ativistas subversivos e traidores há pátria, fazendo crescer o medo refreando ou anulando qualquer ação.
Havendo os que nunca se renderam, os trabalhadores organizados no Partido, que nos campos, no mar e nas fábricas, acreditaram na formação de quadros capazes de desenvolver junto dos melhores filhos do povo, um exército de trabalhadores com consciência de classe, capaz de fazer chegar aos restantes a força que os trabalhadores possuem.
Criaram-se os delegados sindicais que deixaram de ser elos de ligação dos sindicatos fantoches e passaram a defender os seus companheiros os que os elegeram.
Quando esta consciência chegou ao povo, como sumo do sofrimento dos militantes destacados, não mais se parou a luta pela Liberdade.
Hoje todos sabemos que o 25 de Abril é a somatório das lutas e nunca um ato folclórico onde os carros alegóricos são o desfile de Chaimites, G3, Jipes e soldados em marcha de cerimónia, fazendo a continência aos oficiais superiores e representantes do governo, os instalados.
Folclore que se repete na Assembleia da República com discursos floridos dos mesmos que desejam apagar tudo o que foi revolução, o ato de derrube da ditadura, serviu apenas para o Povo alavancar a revolução dos Cravos, porque foi o Povo que exigiu que os militares saíssem dos quarteis, fazendo com que homologassem as conquistas que se realizavam nas ruas.
Daí se diz que o Povo saiu à rua.
No dia 25 de Abril estava dentro da litografia onde trabalhava, a exigir que os meus companheiros levassem os mais indecisos a sair em apoio aos militares revoltosos, enfrente do Quartel-general na Praça da República no Porto.
Dando apoio à Revolução exigindo a condenação dos responsáveis pelos crimes praticados, seguindo em grupos organizados até à rua do Heroísmo, para exigir a prisão dos Pides lacaios nojentos que se encontravam ainda nos seus postos na sede, quartel e prisão.
Os Cravos de Abril
O 25 de Abril não é uma data
É o resultado da exploração
Daquela força inata
Que nos obriga a dizer não
Juntos soldados e Povo
Capitães e milicianos
Projetaram um País novo
Derrubando os tiranos
Logo o Povo saiu há rua
Consolidando cada conquista
Porque a revolução era sua
Escorraçando todo o fascista
Os operários e camponeses
Unidos os trabalhadores
Atacaram os burgueses
Seus principais exploradores
Foi muito, o sofrimento
Que o Povo suportou
Até levar a cada regimento
O Cravo que nos levantou
Foram saneados Coronéis
Comandantes e Generais
Ficando dentro dos quarteis
Os mais conscientes e leais
Construindo pontes e estradas
Alfabetizando os mais velhos
Tratados por camaradas
Seus atos eram espelhos
Nas Fábricas, Campos e Escolas
No Comércio, Mar e Ciência
Deixaram de receber esmolas
Por esgotarem a paciência
Em reivindicações permanentes
Exigindo trabalho com direitos
Lutando em todas as frentes
Combatendo sem preconceitos
Com Mineiros e pescadores
Dos serviços, mais diversos
Com artistas e cantores
Cantando os novos versos
Na rua de punho erguido
Nos cânticos em arraiais
Sem olhar o seu umbigo
Muitos e bons intelectuais
Cantaram o Povo, sorrindo
A Liberdade dos bravos
Naquele Abril colorindo
O Vermelho dos nossos Cravos
Carlos Albertro

Saturday, January 4, 2014

CARTA AO MEU AMIGO



Meu caro amigo:
Em resposta ao seu comentário, estive indeciso se havia de responder ou não, porque sei que jamais chegaremos a um consenso ideológico, porque temos visões antagónicas, do sistema político da nossa sociedade. Contudo, reconheço mais valias intelectuais, nestes debates mesmo que sejam ideológicos.
Passando ao assunto, quanto à afirmação que o meu amigo faz de não pertencer, ou nunca ter pertencido a partido algum, como já lhe disse, não significa que seja neutral ou um impoluto político partidário. Nada tenho a obstar quanto á sua não inscrição em qualquer partido, agora, não me venha com o argumento de ser um livre pensador e em simultâneo acusar-me de estar tutelado e espartilhado, pelo meu partido.
Outorga-se, de pensar pela sua própria cabeça, pretendendo assim insinuar que não passo de um “pau mandado”, desqualificado. Reconheço-lhe esse seu narcisismo exacerbado.
Reitero as respostas às questões que me pôs: Acusa-me de ter umas análises políticas delirantes e que não respondi, “porque motivo a direita havia de acarinhar o Bloco de Esquerda”, pois bem, no meu ponto de vista, o objetivo último do B.E. é enfraquecer e desarticular o PCP, como vanguarda organizada da classe operária e dos trabalhadores, para isso, vestem uma roupagem e “slogans” de esquerda caviar, ora, esse facto agrada exponencialmente à direita, que o mesmo será dizer, aos grandes grupos económicos deste país e não só.
Quanto ao PIB “per capita” que teve um exponencial nos últimos 40 anos, eu pergunto: Não seria graças ao esforço, à produtividade dos trabalhadores portugueses? (sim porque afinal de contas são eles que com o seu trabalho, criam a riqueza deste país).
Onde pára a riqueza então criada? Todos conhecemos os métodos de branqueamento da corrupção e das vigarices, juntando a tudo isto, a fuga de capitais para os “offshores” a fuga aos impostos de banqueiros e outros figurões que deslocam as sedes das empresas para o estrangeiro e depois veem-se pavonear na praça pública como grandes patriotas.
Depois de reiterar as minhas respostas às questões levantadas, eu é que continuo à espera de uma explicação plausível da sua parte, sobre a destruição da agricultura, das pescas e da indústria, pela mão de Cavaco Silva quando era primeiro ministro. Quem não se lembra dos pagamentos que o governo de Cavaco fazia para não se produzir leite, para se arrancar vinhas, para se abater a frota pesqueira, para se deslocar a indústria para o estrangeiro, para logo de seguida os “amigos” europeus com destaque para a Alemanha, meterem cá os seus produtos, (grandes “amigos” estes, não acha?).
Não seriam estas as razões fundamentais, para o prenúncio de bancarrota e o grande descalabro económico em que o nosso país está confrontado?
Para finalizar, não comento os seus enfatizados comentários sobre o comunismo.
Um abraço com amizade.

Monday, December 16, 2013

HOMENAGEM DE PARABÉNS


                                     ANA JOAQUINA MARTINS COELHO
 
FAZ HOJE 104 ANOS

NASCIDA EM 16 DE DEZEMBRO DE 1909, NA FREGUESIA DE LAMOSO, CONCELHO DE PAÇOS DE FERREIRA, FAZ HOJE 104 ANOS, VIÚVA, PAROQUIANA DE VILA DAS AVES, MÃE DE 3 FILHAS E UM FILHO, SENDO QUE UMA DAS FILHAS FALECEU. AVÓ DE 8 NETOS E BISAVÔ DE 8 BISNETOS. FOI TECEDEIRA NA FÁBRICA DO RIO VIZELA (NEGRELOS), ONDE INGRESSOU EM 1920.


Biografia:
 
ANA JOAQUINA MARTINS COELHO, nasceu em 16 de dezembro de 1909 na freguesia de Lamoso, do concelho de Paços de Ferreira, filha de José Martins e de Maria Coelho. 

Aquando o seu nascimento, decorria o regime de monarquia constitucional no reinado de D. Manuel II, que durou até 5 de outubro de 1910, ano em que se deu a Revolução Republicana. Aliás ANA COELHO, foi contemporânea duas guerras mundiais e de três revoluções em Portugal a saber: Revolução de 1910 com o fim da monarquia constitucional e implantação da I República, a revolução do 28 de Maio de 1926 em Braga, que culminou na ditadura do Estado Novo, II República e por último a revolução do 25 de Abril de 1974 que pôs termo à ditadura e à guerra colonial, instaurou a III República com o presente regime democrático.

Com apenas 11 anos de idade, sem nunca frequentar qualquer escola, ingressou em 1920 na fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, localizada na então freguesia de S. Miguel das Aves, do concelho de Santo Tirso, onde veio a exercer o cargo de tecedeira. Segundo a homenageada, nessa época as raparigas que permaneceram nas suas atividades do campo, escarneciam as suas companheiras que abandonavam o trabalho do campo para ingressar na indústria têxtil. Alegavam elas, que as raparigas da fábrica eram consideradas e vistas como raparigas de mau porte, ora claro está, que tudo não passaria de preconceitos condizentes com a profunda mudança ou transformação que se estava a operar na transição de uma sociedade de vivência rural, para uma sociedade industrializada, contemporânea.

Durante toda a semana de trabalho, pernoitava e permanecia em casa de seu tio Leandro Capela, que residia próximo da fábrica. Passava os fins-de-semana em casa na companhia de sua mãe, três irmãs e um irmão, que faleceu com apenas 25 anos de idade, tendo seu pai emigrado para o Brasil, sem nunca mais voltar. No início da semana, deslocava-se com uma broa de pão à cabeça que servia para o seu sustento alimentar durante toda a semana de trabalho. Este percurso de Lamoso para S. Miguel das Aves que compreendia uma distância de aproximadamente 10 km, era feito a pé todas as segundas-feiras e o inverso aos sábados. Na sua juventude foi muito alegre e divertida, participava na companhia das suas amigas em danças de roda e cantares próprios dessa época.

Casou com 37 anos de idade, com Manuel Monteiro da Silva seu marido já falecido, e tivera três filhas e um filho, Maria Albertina, Rosa Madalena, a já falecida Maria do Céu e João Francisco. Os seus filhos ainda hoje reveem nela uma extremosa mãe, uma escola de vida, um exemplo a seguir. 

A nível profissional foi considerada pelos seus superiores como uma exímia tecedeira, só não foi convidada para mestra de tecelagem, por não saber ler nem escrever. 

Na década dos anos vinte já em plena república, o país foi assolado por várias agitações sociais e políticas, culminando numa onda de greves operárias sem precedentes em que a Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela não foi exceção, segundo nos conta a homenageada ANA COELHO, os operários que se recusavam a aderir à greve, eram coagidos através da força pelos seus camaradas grevistas a abandonar o trabalho, o próprio gerente da fábrica que era um cidadão suíço, mais conhecido pelo “suiça”, foi vítima de agressão pelos operários em fúria.

A homenageada ANA COELHO é portadora desde sempre de uma profunda fé religiosa, que ainda hoje é manifestamente percetível. É uma mulher simples, inteligente, meiga e afável, sabia ouvir os outros, compreender os seus problemas e emoções, granjeou desde sempre, de uma grande empatia e humildade junto dos seus familiares, amigos e vizinhos, tinha uma grande ternura, uma enorme doçura designadamente, para com as crianças .
                                                                                                                                                                                                                                               BEM HAJA