OS BANDIDOS DO PSD/CDS, QUE ESTÃO NO GOVERNO, CHUPAM-NOS ATÉ AO TUTANO.
O DINHEIRO QUE RECEBI DO SUBSÍDIO DE FÉRIAS, VAI TODO PARA IMPOSTOS, DO IMI E IRS !
AS MINHAS FÉRIAS, E DA MAIORIA DOS PORTUGUESES, VÃO SER UMA MERDA, COMPARADAS COM A DOS BANDIDOS.
DEPOIS, QUEREM-NOS CONVENCER QUE VIVEMOS EM LIBERDADE ! MAS, QUE RAIO DE LIBERDADE É ESTA ?
Saturday, July 12, 2014
Tuesday, May 27, 2014
AS ELEIÇÕES, A ABSTENÇÃO E O (MAU) RESULTADO
27 de Maio de 2014 às 0:46
Há
trinta e oito anos que os deputados, autarcas, presidentes de junta e
militantes do PCP denunciam as aberrações, roubos e atentados, levados a
cabo, pelos partidos do "arco do gamanço" ou "arco da dívida"
(psd/ps/cds), contra o nosso país e os portugueses.
Quando, em 27 de Março de 1977, m. soares, que era chefe do governo, fez o pedido de adesão de Portugal à então CEE, o Partido Comunista Português contestou essa decisão argumentando que o povo português não iria beneficiar em nada dessa adesão, antes pelo contrário, iria sair a perder. No entanto, e apesar dos protestos do Partido Comunista os partidos da direita (ps/psd/cds) levaram o seu projecto para a frente e "presentearam" o PCP com "mimos" tais como:"O PCP é sempre do contra, protesta sempre tudo; fala muito mas não faz nada; só sabe é atacar o que os outros fazem" etc, etc.
Recordo que o PCP era a favor de uma Europa unida, uma Europa como União de Povos mas o que estava "em marcha" era uma Europa como união de governos, que decidiam, entre eles o que queriam, sem respeitar a vontade popular. E foi o que aconteceu: entrámos numa Europa a "duas velocidades", com dualidade de critérios e em que os países ricos dominam e exploram os países pobres.
No dia 1 de Janeiro de 1986, o "sonho europeu" tornou-se realidade e Portugal entrou na CEE como "membro de pleno direito". A partir de então, e tal como o PCP tinha previsto, começaram os atentados a Portugal: foram impostas "quotas para a produção de leite, da fruta, do vinho, das pescas, do azeite... de tudo o que fazia parte da nossa produção nacional. Portugal tinha que enterrar toneladas de batata, de fruta, de leite, de vinho e de azeitona porque a CEE não dava autorização para que os produtos fossem escoados; as centrais leiteiras fecharam porque não se podia vender o leite. Era preciso escoar os produtos produzidos nos outros países e Portugal teria que dedicar-se ao Turismo. Num país com tanto sol não tinha sentido que os naturais se dedicassem à agricultura, à suinicultura ou à pecuária. Era preciso construir hotéis para que os turistas estrangeiros pudessem vir para cá usufruir do nosso sol e do nosso mar; depois "nasceriam" muitos postos de trabalho - nos hotéis haveriam muitas camas para fazer, muito chão para esfregar, muita loiça para lavar, muita mesa para servir, muita roupa para engomar e muitas malas para carregar. Para além disso iriam ser construídos extensos campos de golf e também aí seriam necessários braços para carregar os tacos de golf dos turistas, mãos para tratar, cortar e regar a relva e braços para carregar as bandejas com as bebidas frescas para quando os senhores tivessem sede. Portugal seria um destino turístico e ponto final.Depois seguiram-se outras ordens da CEE: arrancar oliveiras, para que o azeite italiano e espanhol começasse a ser vendido no nosso país; finalmente veio a Lei das Pescas: A CEE entendeu que a nossa frota de pesca estava velha e ordenou que fosse abatida. Os portugueses que vivem praticamente com os pés dentro de água estavam proibidos de pescar e teriam que comprar o pescado que vinha de fora. Os resultados desta política não se fizeram esperar: agro-pecuárias e centrais leiteiras encerradas, terras ao abandono, trabalhadores rurais e pescadores sem trabalho, o tecido produtivo português começou a decair, tal como o PCP previra.
Anos mais tarde, em 7 de Fevereiro de 1992, cavaco silva, então primeiro ministro, assinou o vergonhoso Tratado de Maastricht que estabeleceu o início da moeda única, o euro, que entraria em Portugal em Janeiro de 2002 e iria contribuir para que o custo de vida aumentasse exponencialmente, dificultando fortemente a vida da maioria dos portugueses.Também em relação à adesão de Portugal à moeda única, o PCP se opôs fortemente. Na Assembleia da República o Partido Comunista votou sempre contra a entrada do euro em Portugal, explicou quais as consequências que os portugueses iriam sofrer com o euro; explicou porquê e apresentou alternativas. Numa dessas vezes em que um deputado comunista (Lino de Carvalho, já falecido) estava a argumentar a esse respeito, um deputado democrata-cristão(?) virou-se para o Lino de Carvalho e disse-lhe: "Vocês comunistas, querem é impedir o povo português de ir em frente, no sentido do desenvolvimento e do progresso".
Já todos pudemos constatar o progresso e o desenvolvimento que o euro nos trouxe.Muitas têm sido as "batalhas" travadas pelos comunistas no que diz respeito ao que se tem passado no nosso país,relativamente a obras faraónicas, que resultam em fraudes e roubos ao erário público; privatizações escandalosas em que são dadas aos privados, partes importantes do nosso património, por meio-tostão furado; alterações ao código do trabalho, etc, etc, etc,. Enfim, durante estes 39 anos do pós 25 de Abril, nunca os comunistas se calaram e foram a única voz que denunciou sempre, frontalmente e sem medo, todos os atentados levados a cabo pelos partidos da direita, contra Portugal e os portugueses. Em resposta a essa luta e denúncia constantes ouviram-se respostas, tais como: "o PCP parece uma cassete, há 40 anos que diz sempre o mesmo; vejam lá se mudam o discurso porque já ninguém vos pode ouvir; como é que vocês querem atrair jovens para o vosso lado, se o vosso discurso é obsoleto? Mudem a cassete...".
Estas eram as frases mais ouvidas na A.República, nas tv(s), nos meios de comunicação social, nas mesas redondas e até na boca de muita gente do povo.
Ontem houve eleições para o Parlamento Europeu - Os portugueses foram chamados a votar, a expressar a sua vontade e a abstenção foi de 66,1%.
É vergonhoso; como se a abstenção resolvesse alguma coisa. Um povo que passa o tempo a protestar, a ser roubado, explorado, sacaneado e humilhado nos seus direitos mais elementares, ficou indiferente e deixou o seu futuro e a sua vida nas mãos dos carrascos.A casa está desarrumada e suja, todos têm consciência disso mas não fazem nada para limpá-la. Que raio de povo é este que prefere a euforia do futebol a exercer o direito de voto?
Hoje, um dia após as eleições para o P. Europeu, e depois de saber que Marinho Pinto conseguiu ali um lugar, foi com muita admiração que ouvi as seguintes frases a seu respeito: "Temos que reconhecer que o homem é corajoso, denuncia as vigarices sem receio de nada; diz as coisas às claras e na cara das pessoas; aquele é um homem de t.....s".
Faz-me muita tristeza e revolta esta dualidade de critérios, ou seja:
- os comunistas que SEMPRE denunciaram as vigarices, os roubos aos trabalhadores e ao erário público, a corrupção, os atentados ao património nacional e os assaltos aos nossos bolsos são a "cassete";
- M. Pinto, que não passa de um demagogo, que enquanto Bastonário da Ordem dos Advogados aprovou para ele próprio um ordenado milionário; que se limita a dizer umas coisas "em voz alta" mas nunca denunciou, nem afrontou qualquer governo; que fez parte dos vigaristas do grupo de Macau, aquele em que estiveram metidos C. Melancia, Almeida Santos, Strecht Monteiro, Rui Mateus e outros "socialistas da treta", um grupo de corruptos que foram denunciados pelo famoso fax enviado pela empresa alemã Weidleplan, em 1989 (lembram-se disto?), este mesmo, que fez tudo isto é apelidado como um "homem corajoso" e os portugueses trataram de arranjar-lhe uma reforma dourada.
Que tremenda injustiça...
Mas os comunistas não baixarão os braços, não desistirão de lutar como nunca o fizeram. Como diz Jorge Palma na sua canção:
"Enquanto houver estrada para andar,
A gente vai continuar,
Enquanto houver estrada para andar.
Enquanto houver vento e mar,
A gente não vai parar,
Enquanto houver vento e mar..."
(Texto da autoria de Ana Sara Cruz)
Quando, em 27 de Março de 1977, m. soares, que era chefe do governo, fez o pedido de adesão de Portugal à então CEE, o Partido Comunista Português contestou essa decisão argumentando que o povo português não iria beneficiar em nada dessa adesão, antes pelo contrário, iria sair a perder. No entanto, e apesar dos protestos do Partido Comunista os partidos da direita (ps/psd/cds) levaram o seu projecto para a frente e "presentearam" o PCP com "mimos" tais como:"O PCP é sempre do contra, protesta sempre tudo; fala muito mas não faz nada; só sabe é atacar o que os outros fazem" etc, etc.
Recordo que o PCP era a favor de uma Europa unida, uma Europa como União de Povos mas o que estava "em marcha" era uma Europa como união de governos, que decidiam, entre eles o que queriam, sem respeitar a vontade popular. E foi o que aconteceu: entrámos numa Europa a "duas velocidades", com dualidade de critérios e em que os países ricos dominam e exploram os países pobres.
No dia 1 de Janeiro de 1986, o "sonho europeu" tornou-se realidade e Portugal entrou na CEE como "membro de pleno direito". A partir de então, e tal como o PCP tinha previsto, começaram os atentados a Portugal: foram impostas "quotas para a produção de leite, da fruta, do vinho, das pescas, do azeite... de tudo o que fazia parte da nossa produção nacional. Portugal tinha que enterrar toneladas de batata, de fruta, de leite, de vinho e de azeitona porque a CEE não dava autorização para que os produtos fossem escoados; as centrais leiteiras fecharam porque não se podia vender o leite. Era preciso escoar os produtos produzidos nos outros países e Portugal teria que dedicar-se ao Turismo. Num país com tanto sol não tinha sentido que os naturais se dedicassem à agricultura, à suinicultura ou à pecuária. Era preciso construir hotéis para que os turistas estrangeiros pudessem vir para cá usufruir do nosso sol e do nosso mar; depois "nasceriam" muitos postos de trabalho - nos hotéis haveriam muitas camas para fazer, muito chão para esfregar, muita loiça para lavar, muita mesa para servir, muita roupa para engomar e muitas malas para carregar. Para além disso iriam ser construídos extensos campos de golf e também aí seriam necessários braços para carregar os tacos de golf dos turistas, mãos para tratar, cortar e regar a relva e braços para carregar as bandejas com as bebidas frescas para quando os senhores tivessem sede. Portugal seria um destino turístico e ponto final.Depois seguiram-se outras ordens da CEE: arrancar oliveiras, para que o azeite italiano e espanhol começasse a ser vendido no nosso país; finalmente veio a Lei das Pescas: A CEE entendeu que a nossa frota de pesca estava velha e ordenou que fosse abatida. Os portugueses que vivem praticamente com os pés dentro de água estavam proibidos de pescar e teriam que comprar o pescado que vinha de fora. Os resultados desta política não se fizeram esperar: agro-pecuárias e centrais leiteiras encerradas, terras ao abandono, trabalhadores rurais e pescadores sem trabalho, o tecido produtivo português começou a decair, tal como o PCP previra.
Anos mais tarde, em 7 de Fevereiro de 1992, cavaco silva, então primeiro ministro, assinou o vergonhoso Tratado de Maastricht que estabeleceu o início da moeda única, o euro, que entraria em Portugal em Janeiro de 2002 e iria contribuir para que o custo de vida aumentasse exponencialmente, dificultando fortemente a vida da maioria dos portugueses.Também em relação à adesão de Portugal à moeda única, o PCP se opôs fortemente. Na Assembleia da República o Partido Comunista votou sempre contra a entrada do euro em Portugal, explicou quais as consequências que os portugueses iriam sofrer com o euro; explicou porquê e apresentou alternativas. Numa dessas vezes em que um deputado comunista (Lino de Carvalho, já falecido) estava a argumentar a esse respeito, um deputado democrata-cristão(?) virou-se para o Lino de Carvalho e disse-lhe: "Vocês comunistas, querem é impedir o povo português de ir em frente, no sentido do desenvolvimento e do progresso".
Já todos pudemos constatar o progresso e o desenvolvimento que o euro nos trouxe.Muitas têm sido as "batalhas" travadas pelos comunistas no que diz respeito ao que se tem passado no nosso país,relativamente a obras faraónicas, que resultam em fraudes e roubos ao erário público; privatizações escandalosas em que são dadas aos privados, partes importantes do nosso património, por meio-tostão furado; alterações ao código do trabalho, etc, etc, etc,. Enfim, durante estes 39 anos do pós 25 de Abril, nunca os comunistas se calaram e foram a única voz que denunciou sempre, frontalmente e sem medo, todos os atentados levados a cabo pelos partidos da direita, contra Portugal e os portugueses. Em resposta a essa luta e denúncia constantes ouviram-se respostas, tais como: "o PCP parece uma cassete, há 40 anos que diz sempre o mesmo; vejam lá se mudam o discurso porque já ninguém vos pode ouvir; como é que vocês querem atrair jovens para o vosso lado, se o vosso discurso é obsoleto? Mudem a cassete...".
Estas eram as frases mais ouvidas na A.República, nas tv(s), nos meios de comunicação social, nas mesas redondas e até na boca de muita gente do povo.
Ontem houve eleições para o Parlamento Europeu - Os portugueses foram chamados a votar, a expressar a sua vontade e a abstenção foi de 66,1%.
É vergonhoso; como se a abstenção resolvesse alguma coisa. Um povo que passa o tempo a protestar, a ser roubado, explorado, sacaneado e humilhado nos seus direitos mais elementares, ficou indiferente e deixou o seu futuro e a sua vida nas mãos dos carrascos.A casa está desarrumada e suja, todos têm consciência disso mas não fazem nada para limpá-la. Que raio de povo é este que prefere a euforia do futebol a exercer o direito de voto?
Hoje, um dia após as eleições para o P. Europeu, e depois de saber que Marinho Pinto conseguiu ali um lugar, foi com muita admiração que ouvi as seguintes frases a seu respeito: "Temos que reconhecer que o homem é corajoso, denuncia as vigarices sem receio de nada; diz as coisas às claras e na cara das pessoas; aquele é um homem de t.....s".
Faz-me muita tristeza e revolta esta dualidade de critérios, ou seja:
- os comunistas que SEMPRE denunciaram as vigarices, os roubos aos trabalhadores e ao erário público, a corrupção, os atentados ao património nacional e os assaltos aos nossos bolsos são a "cassete";
- M. Pinto, que não passa de um demagogo, que enquanto Bastonário da Ordem dos Advogados aprovou para ele próprio um ordenado milionário; que se limita a dizer umas coisas "em voz alta" mas nunca denunciou, nem afrontou qualquer governo; que fez parte dos vigaristas do grupo de Macau, aquele em que estiveram metidos C. Melancia, Almeida Santos, Strecht Monteiro, Rui Mateus e outros "socialistas da treta", um grupo de corruptos que foram denunciados pelo famoso fax enviado pela empresa alemã Weidleplan, em 1989 (lembram-se disto?), este mesmo, que fez tudo isto é apelidado como um "homem corajoso" e os portugueses trataram de arranjar-lhe uma reforma dourada.
Que tremenda injustiça...
Mas os comunistas não baixarão os braços, não desistirão de lutar como nunca o fizeram. Como diz Jorge Palma na sua canção:
"Enquanto houver estrada para andar,
A gente vai continuar,
Enquanto houver estrada para andar.
Enquanto houver vento e mar,
A gente não vai parar,
Enquanto houver vento e mar..."
(Texto da autoria de Ana Sara Cruz)
Wednesday, April 23, 2014
25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS !
Este meu artigo estava destinado para uma certa cerimónia.
Mas quem sou eu para as cerimónias?
São vocês familiares, camaradas e amigos, a quem eu devo a minha dedicação e respeito. Viva o 25 de Abril! Viva o Povo Português!
Onde Estavas no 25 de Abril?!
O regime fascista estava a sofrer muitas contradições, o Povo começava a manifestar muita insatisfação pelo peso das responsabilidades que assumia para sobreviver.
Chefes de família desdobravam-se em tarefas mal remuneradas, desenvolvendo trabalho extra para atenuar as dívidas que acumulavam dia após dia.
Os melhores lugares estavam destinados para as mesmas famílias, com capacidades duvidosas, bastava o estatuto.
A escola era uma miragem para o Povo, embora muitos se tivessem aventurado a estudar de noite, levantando-se cansados para responder nas empresas às exigências que cresciam em cada dia.
Sempre que podiam os nossos jovens partiam para a emigração, mesmo clandestinos, por sentirem que a única garantia que tinham era a pobreza, porque como futuro tinham já a prova nas suas casas, os resultados de seus pais.
A fome, a pouca cultura e o medo permanente, obrigando muitos a venderem-se empenhando a consciência, para bajularem uma defesa de pessoa dita importante ou influente nas hostes dos coveiros do estado novo, fascistas, cabo de ordens ou regedor.
O domingo servia para recarregar as baterias, ouvir os relatos, jogar umas cartas e dominó no tasco mais próximo, bebendo uns copos para afogar a fúria sem direção, que se adormecia muitas vezes na convicção de que não tínhamos sido bafejados pela sorte.
Falar de política era muito difícil, pelo estatuto do medo, até porque quando alguma conversa se dirigisse na rua da contestação, seriamos logo abafados pelos restantes como que se fosse crime discordar ou queixar.
Lentamente começavam a saber que alguns faziam protestos, tanto nas escolas como nas fábricas e em muitos quartéis dos vários setores das forças armadas.
Levando em surdina a convocatória de boca a boca, com uns papéis impressos com stensil, num espaço clandestino dum qualquer vão de escada.
O sofrimento dos trabalhadores juntando o terror das mobilizações para a guerra em África, período em que os pais desejavam que nascessem filhas, para que não tivessem de fazer luto dos filhos aos vinte anos, depois de tantos sacrifícios por amor aos rebentos.
Estava criado um tempo e clima para que o povo se levantasse derrubando o governo fascista já velho e carregado de contradições.
Os monopólios são insaciáveis e algumas famílias portuguesas estavam a reagir para não dividirem a exploração com os novos grupos internacionais.
O reflexo das lutas, nas deserções, prisões arbitrárias, torturas, desterros e o sacrifício de muitos militantes do PCP, assassinados até em via pública, juntamente com outros democratas e patriotas, todos os que apontassem o dedo aos ladrões e coveiros do país e do Povo, os instalados no Terreiro do Paço.
O setor das artes gráficas, lidava com os livros, paralisava em todos os dias 1º de Maio, como feriado de setor, não como dia do trabalhador.
O propósito deste feriado interessava ao regime, para assim melhor controlar os impressos clandestinos que pudessem relevar a data como data mundial do dia dos trabalhadores.
O cansaço e revolta, começaram a tocar muitos mais setores da população, os sindicatos esforçaram-se por controlar a atividade dos descontentes, evitando o progressismo e criando problemas a quem denunciasse os abusos, passando a ser condenado a vitima, protegendo o patrão como rei e senhor, capaz de despedir sem consequências quem não bajulasse como escravo o seu poder.
Como corporativistas, informavam com urgência a PIDE/DGS para com lista fornecida e inventada pelo patronato via sindicato, inventando testemunhas falsas, sendo presos como ativistas subversivos e traidores há pátria, fazendo crescer o medo refreando ou anulando qualquer ação.
Havendo os que nunca se renderam, os trabalhadores organizados no Partido, que nos campos, no mar e nas fábricas, acreditaram na formação de quadros capazes de desenvolver junto dos melhores filhos do povo, um exército de trabalhadores com consciência de classe, capaz de fazer chegar aos restantes a força que os trabalhadores possuem.
Criaram-se os delegados sindicais que deixaram de ser elos de ligação dos sindicatos fantoches e passaram a defender os seus companheiros os que os elegeram.
Quando esta consciência chegou ao povo, como sumo do sofrimento dos militantes destacados, não mais se parou a luta pela Liberdade.
Hoje todos sabemos que o 25 de Abril é a somatório das lutas e nunca um ato folclórico onde os carros alegóricos são o desfile de Chaimites, G3, Jipes e soldados em marcha de cerimónia, fazendo a continência aos oficiais superiores e representantes do governo, os instalados.
Folclore que se repete na Assembleia da República com discursos floridos dos mesmos que desejam apagar tudo o que foi revolução, o ato de derrube da ditadura, serviu apenas para o Povo alavancar a revolução dos Cravos, porque foi o Povo que exigiu que os militares saíssem dos quarteis, fazendo com que homologassem as conquistas que se realizavam nas ruas.
Daí se diz que o Povo saiu à rua.
No dia 25 de Abril estava dentro da litografia onde trabalhava, a exigir que os meus companheiros levassem os mais indecisos a sair em apoio aos militares revoltosos, enfrente do Quartel-general na Praça da República no Porto.
Dando apoio à Revolução exigindo a condenação dos responsáveis pelos crimes praticados, seguindo em grupos organizados até à rua do Heroísmo, para exigir a prisão dos Pides lacaios nojentos que se encontravam ainda nos seus postos na sede, quartel e prisão.
Os Cravos de Abril
O 25 de Abril não é uma data
É o resultado da exploração
Daquela força inata
Que nos obriga a dizer não
Juntos soldados e Povo
Capitães e milicianos
Projetaram um País novo
Derrubando os tiranos
Logo o Povo saiu há rua
Consolidando cada conquista
Porque a revolução era sua
Escorraçando todo o fascista
Os operários e camponeses
Unidos os trabalhadores
Atacaram os burgueses
Seus principais exploradores
Foi muito, o sofrimento
Que o Povo suportou
Até levar a cada regimento
O Cravo que nos levantou
Foram saneados Coronéis
Comandantes e Generais
Ficando dentro dos quarteis
Os mais conscientes e leais
Construindo pontes e estradas
Alfabetizando os mais velhos
Tratados por camaradas
Seus atos eram espelhos
Nas Fábricas, Campos e Escolas
No Comércio, Mar e Ciência
Deixaram de receber esmolas
Por esgotarem a paciência
Em reivindicações permanentes
Exigindo trabalho com direitos
Lutando em todas as frentes
Combatendo sem preconceitos
Com Mineiros e pescadores
Dos serviços, mais diversos
Com artistas e cantores
Cantando os novos versos
Na rua de punho erguido
Nos cânticos em arraiais
Sem olhar o seu umbigo
Muitos e bons intelectuais
Cantaram o Povo, sorrindo
A Liberdade dos bravos
Naquele Abril colorindo
O Vermelho dos nossos Cravos
Carlos Albertro
Mas quem sou eu para as cerimónias?
São vocês familiares, camaradas e amigos, a quem eu devo a minha dedicação e respeito. Viva o 25 de Abril! Viva o Povo Português!
Onde Estavas no 25 de Abril?!
O regime fascista estava a sofrer muitas contradições, o Povo começava a manifestar muita insatisfação pelo peso das responsabilidades que assumia para sobreviver.
Chefes de família desdobravam-se em tarefas mal remuneradas, desenvolvendo trabalho extra para atenuar as dívidas que acumulavam dia após dia.
Os melhores lugares estavam destinados para as mesmas famílias, com capacidades duvidosas, bastava o estatuto.
A escola era uma miragem para o Povo, embora muitos se tivessem aventurado a estudar de noite, levantando-se cansados para responder nas empresas às exigências que cresciam em cada dia.
Sempre que podiam os nossos jovens partiam para a emigração, mesmo clandestinos, por sentirem que a única garantia que tinham era a pobreza, porque como futuro tinham já a prova nas suas casas, os resultados de seus pais.
A fome, a pouca cultura e o medo permanente, obrigando muitos a venderem-se empenhando a consciência, para bajularem uma defesa de pessoa dita importante ou influente nas hostes dos coveiros do estado novo, fascistas, cabo de ordens ou regedor.
O domingo servia para recarregar as baterias, ouvir os relatos, jogar umas cartas e dominó no tasco mais próximo, bebendo uns copos para afogar a fúria sem direção, que se adormecia muitas vezes na convicção de que não tínhamos sido bafejados pela sorte.
Falar de política era muito difícil, pelo estatuto do medo, até porque quando alguma conversa se dirigisse na rua da contestação, seriamos logo abafados pelos restantes como que se fosse crime discordar ou queixar.
Lentamente começavam a saber que alguns faziam protestos, tanto nas escolas como nas fábricas e em muitos quartéis dos vários setores das forças armadas.
Levando em surdina a convocatória de boca a boca, com uns papéis impressos com stensil, num espaço clandestino dum qualquer vão de escada.
O sofrimento dos trabalhadores juntando o terror das mobilizações para a guerra em África, período em que os pais desejavam que nascessem filhas, para que não tivessem de fazer luto dos filhos aos vinte anos, depois de tantos sacrifícios por amor aos rebentos.
Estava criado um tempo e clima para que o povo se levantasse derrubando o governo fascista já velho e carregado de contradições.
Os monopólios são insaciáveis e algumas famílias portuguesas estavam a reagir para não dividirem a exploração com os novos grupos internacionais.
O reflexo das lutas, nas deserções, prisões arbitrárias, torturas, desterros e o sacrifício de muitos militantes do PCP, assassinados até em via pública, juntamente com outros democratas e patriotas, todos os que apontassem o dedo aos ladrões e coveiros do país e do Povo, os instalados no Terreiro do Paço.
O setor das artes gráficas, lidava com os livros, paralisava em todos os dias 1º de Maio, como feriado de setor, não como dia do trabalhador.
O propósito deste feriado interessava ao regime, para assim melhor controlar os impressos clandestinos que pudessem relevar a data como data mundial do dia dos trabalhadores.
O cansaço e revolta, começaram a tocar muitos mais setores da população, os sindicatos esforçaram-se por controlar a atividade dos descontentes, evitando o progressismo e criando problemas a quem denunciasse os abusos, passando a ser condenado a vitima, protegendo o patrão como rei e senhor, capaz de despedir sem consequências quem não bajulasse como escravo o seu poder.
Como corporativistas, informavam com urgência a PIDE/DGS para com lista fornecida e inventada pelo patronato via sindicato, inventando testemunhas falsas, sendo presos como ativistas subversivos e traidores há pátria, fazendo crescer o medo refreando ou anulando qualquer ação.
Havendo os que nunca se renderam, os trabalhadores organizados no Partido, que nos campos, no mar e nas fábricas, acreditaram na formação de quadros capazes de desenvolver junto dos melhores filhos do povo, um exército de trabalhadores com consciência de classe, capaz de fazer chegar aos restantes a força que os trabalhadores possuem.
Criaram-se os delegados sindicais que deixaram de ser elos de ligação dos sindicatos fantoches e passaram a defender os seus companheiros os que os elegeram.
Quando esta consciência chegou ao povo, como sumo do sofrimento dos militantes destacados, não mais se parou a luta pela Liberdade.
Hoje todos sabemos que o 25 de Abril é a somatório das lutas e nunca um ato folclórico onde os carros alegóricos são o desfile de Chaimites, G3, Jipes e soldados em marcha de cerimónia, fazendo a continência aos oficiais superiores e representantes do governo, os instalados.
Folclore que se repete na Assembleia da República com discursos floridos dos mesmos que desejam apagar tudo o que foi revolução, o ato de derrube da ditadura, serviu apenas para o Povo alavancar a revolução dos Cravos, porque foi o Povo que exigiu que os militares saíssem dos quarteis, fazendo com que homologassem as conquistas que se realizavam nas ruas.
Daí se diz que o Povo saiu à rua.
No dia 25 de Abril estava dentro da litografia onde trabalhava, a exigir que os meus companheiros levassem os mais indecisos a sair em apoio aos militares revoltosos, enfrente do Quartel-general na Praça da República no Porto.
Dando apoio à Revolução exigindo a condenação dos responsáveis pelos crimes praticados, seguindo em grupos organizados até à rua do Heroísmo, para exigir a prisão dos Pides lacaios nojentos que se encontravam ainda nos seus postos na sede, quartel e prisão.
Os Cravos de Abril
O 25 de Abril não é uma data
É o resultado da exploração
Daquela força inata
Que nos obriga a dizer não
Juntos soldados e Povo
Capitães e milicianos
Projetaram um País novo
Derrubando os tiranos
Logo o Povo saiu há rua
Consolidando cada conquista
Porque a revolução era sua
Escorraçando todo o fascista
Os operários e camponeses
Unidos os trabalhadores
Atacaram os burgueses
Seus principais exploradores
Foi muito, o sofrimento
Que o Povo suportou
Até levar a cada regimento
O Cravo que nos levantou
Foram saneados Coronéis
Comandantes e Generais
Ficando dentro dos quarteis
Os mais conscientes e leais
Construindo pontes e estradas
Alfabetizando os mais velhos
Tratados por camaradas
Seus atos eram espelhos
Nas Fábricas, Campos e Escolas
No Comércio, Mar e Ciência
Deixaram de receber esmolas
Por esgotarem a paciência
Em reivindicações permanentes
Exigindo trabalho com direitos
Lutando em todas as frentes
Combatendo sem preconceitos
Com Mineiros e pescadores
Dos serviços, mais diversos
Com artistas e cantores
Cantando os novos versos
Na rua de punho erguido
Nos cânticos em arraiais
Sem olhar o seu umbigo
Muitos e bons intelectuais
Cantaram o Povo, sorrindo
A Liberdade dos bravos
Naquele Abril colorindo
O Vermelho dos nossos Cravos
Carlos Albertro
Saturday, January 4, 2014
CARTA AO MEU AMIGO
Meu caro amigo:
Em resposta ao seu comentário,
estive indeciso se havia de responder ou não, porque sei que jamais chegaremos
a um consenso ideológico, porque temos visões antagónicas, do sistema político
da nossa sociedade. Contudo, reconheço mais valias intelectuais, nestes debates
mesmo que sejam ideológicos.
Passando ao assunto, quanto à
afirmação que o meu amigo faz de não pertencer, ou nunca ter pertencido a
partido algum, como já lhe disse, não significa que seja neutral ou um impoluto
político partidário. Nada tenho a obstar quanto á sua não inscrição em qualquer
partido, agora, não me venha com o argumento de ser um livre pensador e em
simultâneo acusar-me de estar tutelado e espartilhado, pelo meu partido.
Outorga-se, de pensar pela sua própria cabeça, pretendendo assim insinuar que não passo de um “pau
mandado”, desqualificado. Reconheço-lhe esse seu narcisismo exacerbado.
Reitero as respostas às questões
que me pôs: Acusa-me de ter umas análises políticas delirantes e que não
respondi, “porque motivo a direita havia de acarinhar o Bloco de Esquerda”,
pois bem, no meu ponto de vista, o objetivo último do B.E. é enfraquecer e
desarticular o PCP, como vanguarda organizada da classe operária e dos
trabalhadores, para isso, vestem uma roupagem e “slogans” de esquerda caviar,
ora, esse facto agrada exponencialmente à direita, que o mesmo será dizer, aos
grandes grupos económicos deste país e não só.
Quanto ao PIB “per capita” que
teve um exponencial nos últimos 40 anos, eu pergunto: Não seria graças ao
esforço, à produtividade dos trabalhadores portugueses? (sim porque afinal de
contas são eles que com o seu trabalho, criam a riqueza deste país).
Onde pára a riqueza então criada?
Todos conhecemos os métodos de branqueamento da corrupção e das vigarices,
juntando a tudo isto, a fuga de capitais para os “offshores” a fuga aos
impostos de banqueiros e outros figurões que deslocam as sedes das empresas
para o estrangeiro e depois veem-se pavonear na praça pública como grandes
patriotas.
Depois de reiterar as minhas
respostas às questões levantadas, eu é que continuo à espera de uma explicação
plausível da sua parte, sobre a destruição da agricultura, das pescas e da
indústria, pela mão de Cavaco Silva quando era primeiro ministro. Quem não se
lembra dos pagamentos que o governo de Cavaco fazia para não se produzir leite,
para se arrancar vinhas, para se abater a frota pesqueira, para se deslocar a
indústria para o estrangeiro, para logo de seguida os “amigos” europeus com
destaque para a Alemanha, meterem cá os seus produtos, (grandes “amigos” estes,
não acha?).
Não seriam estas as razões
fundamentais, para o prenúncio de bancarrota e o grande descalabro económico em
que o nosso país está confrontado?
Para finalizar, não comento os
seus enfatizados comentários sobre o comunismo.
Um abraço com amizade.
Monday, December 16, 2013
HOMENAGEM DE PARABÉNS
ANA JOAQUINA MARTINS COELHO
FAZ HOJE 104 ANOS
NASCIDA
EM 16 DE DEZEMBRO DE 1909, NA FREGUESIA DE LAMOSO, CONCELHO DE PAÇOS DE
FERREIRA, FAZ HOJE 104 ANOS, VIÚVA, PAROQUIANA DE VILA DAS AVES, MÃE DE 3
FILHAS E UM FILHO, SENDO QUE UMA DAS FILHAS FALECEU. AVÓ DE 8 NETOS E BISAVÔ DE
8 BISNETOS. FOI TECEDEIRA NA FÁBRICA DO RIO VIZELA (NEGRELOS), ONDE INGRESSOU
EM 1920.
ANA JOAQUINA MARTINS COELHO, nasceu em 16 de dezembro de 1909 na
freguesia de Lamoso, do concelho de Paços de Ferreira, filha de José Martins e
de Maria Coelho.
Aquando o seu nascimento, decorria o
regime de monarquia constitucional no reinado de D. Manuel II, que durou até 5
de outubro de 1910, ano em que se deu a Revolução Republicana. Aliás ANA COELHO, foi contemporânea duas guerras mundiais e de três
revoluções em Portugal a saber: Revolução de 1910 com o fim da monarquia constitucional
e implantação da I República, a revolução do 28 de Maio de 1926 em Braga, que
culminou na ditadura do Estado Novo, II República e por último a revolução do 25 de Abril de
1974 que pôs termo à ditadura e à guerra colonial, instaurou a III República
com o presente regime democrático.
Com apenas 11 anos de idade, sem nunca
frequentar qualquer escola, ingressou em 1920 na fábrica de Fiação e Tecidos do
Rio Vizela, localizada na então freguesia de S. Miguel das Aves, do concelho de
Santo Tirso, onde veio a exercer o cargo de tecedeira. Segundo a homenageada, nessa
época as raparigas que permaneceram nas suas atividades do campo, escarneciam
as suas companheiras que abandonavam o trabalho do campo para ingressar na
indústria têxtil. Alegavam elas, que as raparigas da fábrica eram consideradas
e vistas como raparigas de mau porte, ora claro está, que tudo não passaria de
preconceitos condizentes com a profunda mudança ou transformação que se estava a
operar na transição de uma sociedade de vivência rural, para uma sociedade industrializada,
contemporânea.
Durante toda a semana de trabalho, pernoitava e permanecia em
casa de seu tio Leandro Capela, que residia próximo da fábrica. Passava os fins-de-semana em casa na companhia de sua mãe,
três irmãs e um irmão, que faleceu com apenas 25 anos de idade, tendo seu pai
emigrado para o Brasil, sem nunca mais voltar. No início da semana, deslocava-se
com uma broa de pão à cabeça que servia para o seu sustento alimentar durante
toda a semana de trabalho. Este percurso de Lamoso para S. Miguel das Aves que
compreendia uma distância de aproximadamente 10 km, era feito a pé todas as
segundas-feiras e o inverso aos sábados. Na sua juventude foi muito alegre e
divertida, participava na companhia das suas amigas em danças de roda e
cantares próprios dessa época.
Casou com 37 anos de idade, com
Manuel Monteiro da Silva seu marido já falecido, e tivera três filhas e um
filho, Maria Albertina, Rosa Madalena, a já falecida Maria do Céu e João
Francisco. Os seus filhos ainda hoje reveem nela uma extremosa mãe, uma escola
de vida, um exemplo a seguir.
A nível profissional foi considerada
pelos seus superiores como uma exímia tecedeira, só não foi convidada para
mestra de tecelagem, por não saber ler nem escrever.
Na década dos anos vinte já em plena
república, o país foi assolado por várias agitações sociais e políticas,
culminando numa onda de greves operárias sem precedentes em que a Fábrica de
Fiação e Tecidos do Rio Vizela não foi exceção, segundo nos conta a homenageada ANA COELHO, os operários que se
recusavam a aderir à greve, eram coagidos através da força pelos seus camaradas
grevistas a abandonar o trabalho, o próprio gerente da fábrica que era um
cidadão suíço, mais conhecido pelo “suiça”, foi vítima de agressão pelos
operários em fúria.
A homenageada ANA COELHO é portadora desde sempre de uma profunda fé religiosa,
que ainda hoje é manifestamente percetível. É uma mulher simples, inteligente,
meiga e afável, sabia ouvir os outros, compreender os seus
problemas e emoções, granjeou desde sempre, de uma grande empatia e humildade junto
dos seus familiares, amigos e vizinhos, tinha uma grande ternura, uma enorme
doçura designadamente, para com as crianças .
BEM
HAJA
Wednesday, December 11, 2013
Friday, July 6, 2012
AS PIONEIRAS INDÚSTRIAS ALGODOEIRAS NO VALE DO AVE
Introdução:
A
escolha e abordagem deste tema, teve por principal motivo, tratar-se de uma
indústria localizada na região das minhas origens e residência, e nomeadamente
um tipo de indústria na qual exerci temporariamente a minha atividade
profissional como serralheiro mecânico na manutenção de máquinas de fiação e
tecelagem. Vou apenas abordar de forma sucinta, o pioneirismo da indústria
algodoeira no Vale do Ave, que se reveste de uma importância fundamental para o
desenvolvimento económico e social, através de uma dialética de progresso ao
longo das margens do rio Ave e Vizela.
Descrição:
Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio
Vizela (Negrelos)
O
pioneirismo da indústria algodoeira no Vale do Ave, remonta a meados do século
XIX, mais exatamente a 1845, ano em que um grupo de comerciantes do Porto, aliados
numa sociedade constituída por emigrantes recém chegados do Brasil, portadores
de grandes fortunas, estabeleceram uma sociedade que esteve na origem da
instalação da primeira Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, considerada
na época a maior fábrica do Norte do país. “Em todo o caso, em 1848, a fábrica de Negrelos importou do
estrangeiro 5140 arrobas de algodão em rama, tendo produzido 4369 arrobas de
fio todo vendido no mercado nacional. Empregava já nessa altura 58 homens, 54
mulheres e 35 rapazes, com salários que oscilavam entre os 60 e os 440 réis,
mas continuava ainda o trabalho de montagem de máquinas, pelo que as receitas
ainda não cobriam as despesas. Em 1854, a capacidade de emprego da fábrica já
tinha mais do que duplicado, verificando-se uma população operária de 155
homens, 151 mulheres e 92 rapazes, ou seja, quase quatro centenas de
trabalhadores.” (ALVES,1995) Na
década de 50 era constituída por 3 a 4 mil operários, com 31.624 fusos e 1200
teares mecânicos. (ALVES,1995) Esta indústria foi inicialmente localizada em
Negrelos na margem esquerda do rio, sendo mais tarde ampliada para a margem
direita na localidade de Vila das Aves, onde foi construído um moderno edifício
de raiz de grandes dimensões, ficando mais tarde, as velhas instalações da
margem esquerda, destinadas a armazéns. A motivação da referida ampliação, para
a margem direita do rio Vizela, deve-se à rápida expansão desta indústria e à exiguidade
do terreno onde estava implantado o primitivo edifício, por outro lado, a
implantação da linha férrea em 1938 na margem direita do rio Vizela que liga
Porto a Guimarães, veio beneficiar esta indústria, contribuindo para uma maior
eficiência na política de transporte de mercadorias, nomeadamente o carvão para
as caldeiras que por sua vez, produziam energia a vapor. A construção da
estrada nacional 105 que liga também Porto a Guimarães, inaugurada em 1875, foi
outra infraestrutura importante para a emergente indústria têxtil no Vale do
Ave, e para outras que entretanto se vieram a implantar na região. O algodão
como matéria prima era proveniente das colónias portuguesas, desde meados do
século XIX, nomeadamente de Angola e Moçambique. Com o Estado Novo, através do
acto colonial de 1933, foram criadas novas condições no reforço da plantação do
algodão, em vista, a uma maior produção através de incentivos financeiros,
concedidos aos produtores, com empréstimos bancários de capital a juros mais
baratos. (ALVES, 2002)
Fábrica de Sampaio & Ferreira Cª.
em Riba D´Ave
Em 1896 outra indústria algodoeira de grande
importância se instalou
no Vale do Ave, nomeadamente em Riba D´Ave mais concretamente na margem
esquerda do rio Ave, tendo como seu proprietário Narciso Ferreira, homem de
origens humildes que de muito novo apenas com 19 anos, como tecelão se envolveu
na indústria doméstica, acumulando a atividade de comerciante dos seus
produtos, sendo que mais tarde veio a tornar-se um influente industrial. Para
se ter uma ideia do potencial da empresa de Narciso Ferreira no concelho de V.
N. de Famalicão em 1889, basta dizer que em média as outras indústrias do
concelho tinham 200$00 de capital e 8 a 20 operários, enquanto que Narciso
Ferreira tinha, 400$00 de capital e 51 operários, sendo mulheres 35, com um consumo
de fio de algodão de 6 contos de réis. (ALVES, 1999) A seguir a estas pioneiras
indústrias algodoeiras, outras proliferaram na região ao longo dos rios Ave e
Vizela, como por exemplo: A criação da Fiação do
Bugio, em Fafe, datada de 1873, a Fábrica de Fiação e Tecelagem, em Retorta,
Vila do Conde 1878, entre outras. Em 1890, esta
região do Vale do Ave, já era conhecida como uma importante região da indústria
têxtil algodoeira, com um peso significativo na economia nacional.
Razões da Localização:
O porquê da
localização das primeiras indústrias algodoeiras no Vale do Ave e porque não
noutro local? Não houve apenas um só motivo para a sua localização, vários outros
fatores se conjugaram na vinda destas indústrias para este local. Começaria por
referir a tradição da localização da indústria doméstica artesanal do linho nesta
região, a transição da tecelagem do linho para o algodão e o complemento
através da fusão ou mistura do linho com a nova matéria prima que era o algodão,
dava como resultado final um tecido de custos mais reduzidos, conhecido por
fustão, muito embora menos resistente do que o linho, mas que satisfazia
plenamente a sua utilidade, geralmente utilizado em vestuário dos indígenas das
colónias e das camadas mais vulneráveis da população. (VRIES, p.143). A
abundância de mão de obra disponível, mais dócil subserviente e menos
reivindicativa comparada às zonas urbanas do Porto, foram outras das razões, da
vinda destas indústrias para esta localidade. Outro fator foi sem dúvida o
aproveitamento da energia hidráulica através de quedas e água dos rios e
posteriormente o aproveitamento da água para a produção da energia a vapor, e
mais tarde a produção de eletricidade.
Primeira Empresa Têxtil Elétrica de Bairro
No princípio do
século XX , a partir do ano de 1905, é construída a primeira indústria têxtil
elétrica, conhecida por Empresa Têxtil Elétrica, na freguesia de Bairro, do
concelho de V.N. de Famalicão. (ALVES,1999)
Esta
empresa era pela primeira vez, movida totalmente
a energia elétrica, através de pequena barragem hidroelétrica onde era
turbinada energia que era aproveitada como força motriz no acionamento das
máquinas têxteis e iluminação pública, substituindo assim, a energia a vapor. Mais
tarde em 1958, o engº. Ferreira Dias como ministro da economia, dá um forte
impulso à construção da Rede Elétrica Nacional, levando à prática a Lei 2002
elaborada por si nos anos 30, com a construção de várias barragens hidroelétricas
nomeadamente nos rios Zêzere e Cávado. (ROLO,
p. 344)
Transformações culturais, mobilidade e
urbanismo:
No século XIX ,
houve uma grande emigração para o Brasil, tendo em conta a estagnação e a
miséria latente em Portugal. Restava-nos um País constituído por uma ruralidade
endémica com uma atividade agrícola a pare de uma indústria doméstica artesanal
do linho era o único panorama existente como meio de subsistência da população
antes da implantação destas pioneiras indústrias de tipo capitalista nesta
região em 1845, a partir daqui, deu-se uma transformação radical e profunda nos
hábitos e costumes da população e uma consequente explosão urbanística
considerável, que alterou profundamente a paisagem, e como diz o poeta:
"Milagre que Deus fez pelo seu braço,
onde cantavam dantes rouxinóis
rangem agora máquinas de aço…" (Fernando Carneiro)
onde cantavam dantes rouxinóis
rangem agora máquinas de aço…" (Fernando Carneiro)
A implantação
destas novas indústrias, veio sem dúvida, alterar o panorama social, mas também
cultural e urbanístico da região, a partir de então assistiu-se a um surto de
progresso que se traduziu a longo prazo, no melhoramento das condições de vida
das populações, a pare de muitos e grandes sacrifícios, de gerações contínuas
até aos tempos conturbados de hoje. A par de toda esta agitação fabril, também
se assistiu a uma transformação profunda no panorama cultural, desde logo, por
situações de choques de natureza psicológica junto das populações, por exemplo,
criou-se uma campanha negativa sobre as primeiras mulheres que ingressaram na
nova indústria têxtil, que habitualmente trabalhavam nos campos, eram acusadas
de maus comportamentos,desde logo,
suspeitos e duvidosos aos olhos de outras mulheres que se mantiveram camponesas, isto
é, levantavam-se preconceitos de ordem sexual e religiosa, que a seu tempo acabaram
por se esbater. (COELHO) Outro fator cultural assinalável, deveu-se à
construção das escolas técnicas, nas sedes dos concelhos, graças aos planos de
fomento nos anos 50/60, que tiveram por finalidade a instrução e preparação de
futuros técnicos e mestres na atividade têxtil entre outras.
A população que
até então na sua maioria se dedicava às tarefas agrícolas nos campos, passaram
a empregar-se nas indústrias que emergiam na região de forma crescente, fruto
de uma dialética industrial emergente. Porém, apesar de se ocuparem nas novas
atividades têxteis, os novos operários, mantinham em simultâneo as atividades
agrícolas como complemento económico do seu agregado familiar. Porém, a
concentração da indústria algodoeira nesta região, veio a provocar uma
mobilidade de trabalhadores provenientes de outras localidades distantes,
atraídos por um emprego consistente, na busca de melhores condições de vida.
Ora esta dinâmica veio a traduzir-se numa profunda alteração da paisagem
urbanística da região, ou seja, onde antes eram consideradas paisagens
totalmente rurais, com o advento da implantação desta indústria, a região, veio
a sofrer transformações consideráveis do ponto de vista urbanístico e citadino.
Por exemplo, hoje à noite, por efeitos da iluminação pública, quem visitar o
Vale do Ave dir-se-ia estar perante autênticas cidades das luzes.
Lutas operárias:
Havia na época uma
diferença substancial no valor dos salários da região do Vale do Ave, comparado
com o valor dos salários dos operários do Porto, ou seja, enquanto um tecelão
ganhava no Vale do Ave entre $120 a $160 reis/dia, em 12 horas de trabalho, operários
de outras profissões como carpinteiros e marceneiros ganhavam respetivamente
$240 e $300 reis/dia. No Porto um tecelão ganhava $300 reis/dia. (ALVES,1995)
Eis aqui, uma das
razões da vinda destas indústrias para o Vale do Ave. Contudo, mais tarde ou
mais cedo, as lutas operárias por melhores salários e condições de vida tiveram
o seu início no Norte, mesmo no tempo da Monarquia Constitucional em 1873,
começaram a manifestar-se com as primeiras greves através de paralisações de
tecelagens, promovidas pelo jovem movimento operário. (A.M./A.P./N.L.M. p.89) Já
no início da primeira República, nomeadamente em 1910, houve novos surtos de
greves, só comparáveis a seguir à revolução do 25 de Abril de 1974.
Em 1944 e 1954
houve uma grande agitação grevista nas indústrias têxteis do Vale do Ave, que
nem a PIDE conseguiu evitar, devido à imposição de atribuir de 3 a 4 teares
automáticos a um só operário. (A.M./A.P./N.L.M. p. 95)
Com as liberdades
provenientes do regime Republicano, o movimento operário liderado sobretudo por
anarco-sindicalistas, aproveitou o momento favorável para se organizar e em 15
a 17 de março de 1914, teve lugar em Tomar o 1º Congresso Nacional Operário e
criada então, a União Operária Nacional – UON, primeira central sindical
portuguesa.
A 15 de Setembro de 1919 realiza-se, em Coimbra, o II Congresso da UON em que
foi decidido criar a Confederação Geral do Trabalho – CGT, constituída por
operários revolucionários os quais, decidiram criar a Federação Maximalista
Portuguesa, embrião do Partido Comunista Português.(ADELAIDE, 2010).
A constituição do Partido Comunista
Português, a 6 de Março de 1921, constitui um acontecimento maior na
organização do movimento operário português. A classe operária passa a dispor
de uma organização política que assume de forma clara a defesa dos seus
interesses, dos seus direitos, da sua emancipação e, mais que isso, apresenta
um projecto revolucionário para a construção de uma sociedade sem classes.(ADELAIDE, 2010)
Mas, a liberdade
sindical foi efémero, tendo em conta o advento da ditadura sidonista.
Sendo Sidónio Pais no início apoiado com os votos dos anarquistas, uma vez no
poder, foi acusado de traição pela repressão então exercida sobre os
trabalhadores.
Entretanto Sidónio
Pais ao fim de um ano no poder, acabou assassinado, na estação do Rossio em
Lisboa. Mais tarde, com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, e a instauração
da ditadura militar, seguida em 1933, da ditadura do Estado Novo, nova e longa
repressão se abateu sobre os trabalhadores portugueses. Em 1 de Maio de 1927,
todos os comícios foram proibidos e dissolvida a CGT, central sindical dos
trabalhadores. Foi proclamado em 1933, o corporativismo que imponha pela força
uma colaboração contranatura dos trabalhadores com os patrões com o objetivo de
por fim à eterna luta de, classes, o que nunca veio a acontecer apesar de o
regime usar tenebrosos meios repressivos através da polícia política PIDE/DGS, sobre
diversos dirigentes operários incluindo a prisão, tortura e assassinatos,
situação que penosamente se arrastou ao longo de 48 anos até à conquista da
liberdade com a revolução do 25 de Abril de 1974.
Conclusão:
A indústria têxtil do Vale do Ave depois de todos estes gloriosos anos de atividade constante, tudo indicava ser irreversível, quando menos se esperava, tudo ruiu de forma abrupta, mergulhando numa profunda crise todo o sector, com a falência em série da esmagadora maioria das grandes fábricas têxteis desta região, atirando para o desemprego milhares de famílias sem recursos imediatos a novos empregos, o que acabou por gerar uma dramática calamidade social, designadamente provocando muitas situações de miséria e fome. O cenário desolador das ruínas dos edifícios nesta região, é bem a prova da tragédia consumada. Naturalmente que esta situação teve as suas causas e origens, que muitos aproveitaram para atribuir de forma abstrata a fatores de ordem internacional mais conhecidos por globalização, como forma de enjeitar responsabilidades dos verdadeiros culpados desta nefasta situação. Então, poder-se-á perguntar porque se chegou a esta situação?
Não será por acaso,
mais um efeito da ganância de um «prestigiado» capitalismo (agora denominado
por economia de mercado), com as famigeradas deslocalizações em busca de mão de
obra barata?
Bibliografia:
ALVES,
Jorge Fernandes; Silvestre Lacerda - Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela
- As origens. In O TRIPEIRO, 7ª série, ano XV (1995), nº 1-2
(Janeiro/Fevereiro), p. 41-46, e nº 3, p. 84-88-http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1187.pdf
ALVES,
Jorge Fernandes - A Indústria Têxtil do Vale do Ave. In MENDES, José
Amado; FERNANDES, Isabel (Coord.) - Património e Indústria no Vale do Ave.
Vila Nova de Famalicão: Adrave, 2002, p. 372-389. - http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1183.pdf
VRIES, Jan de – Economia da Europa numa Época de Crise
– Indústria em Reestruturação
ROLO,
Maria Fernanda - Análise Social,vol. xxxi (130-137),
1996 (2.°-3.°), 343-354 - http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223394207B2vIB7hv3Hv03QU8.pdf
BRITO, José Maria
Brandão de
A.M./A.P./N.L.M. –
Arnaldo Melo/Amélia Polónia/Nuno Luís Madureira – História do Trabalho e das Ocupações. Vol. I A Indústria Têxtil. 1ª
ed. Oeiras: Celta Editora, 2001. 297 p. ISBM: 972-774-126-6
ADELAIDE Pereira Alves,
O Movimento Operário Português e a
República; O Militante, Nº 306 – Mai/Jun 2010. História. http://www.omilitante.pcp.pt/pt/306/Historia/418/
Testemunho
oral:
COELHO, Ana Joaquina
Martins - Tecedeira na Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela (Negrelos), a
partir de 1919, atualmente com 103 anos de idade.
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