Governo prepara dois mil despedimentos nos transportes
25 de Janeiro, 2011Por Frederico Pinheiro
A morte de um jovem estudante vendedor ambulante que se imolou pelo fogo, em protesto pela polícia o proibir de vender nas ruas, foi a «faísca» que deu origem à Revolução da Tunísia, contra um presidente e um governo corrupto que se perpetuava no poder, há vinte e três anos.
Mas, esta revolução tal como todas as outras, incluindo a Revolução Portuguesa do 25 de Abril, apelidada agora, pela contra-revolução de «Abrilada», não fogem à regra, isto é, de imediato e após o sucesso verificado, com a rápida fuga desordenada do presidente ditador Ben Ali.
Foi notável ver, tal como após o nosso 25 de Abril , o início do começo da contra-revolução, manifestada através de presentes envenenados de supostos rasgados elogios de coragem e heroicidade ao povo tunisino, vindos de quem vem, por experiência própria, sabemos muito bem, o que esta gente pretende com estes «rasgados elogios». É sabido que o pior está para vir, os tunisinos que se cuidem.
A Revolução da Tunísia, foi fundamentalmente organizada pelo povo e dirigida contra uma oligarquia capitalista que esmagava aquele povo há vinte e três anos. Como alguém dizia, o capitalismo não dorme em serviço, e tudo fará paulatinamente para numa favorável oportunidade esmagar a Revolução Tunisina, alegando e justificando como sempre o pretexto da falta de liberdade. Naturalmente, como sabemos usará para o efeito instrumentalização de homens ligados direta ou indiretamente à Revolução, tal como no nosso 25 de Abril, para criar numa primeira fase a divisão da população e finalmente o esmagamento total da Revolução.
Estas práticas, infelizmente são bem nossas conhecidas, utilizadas na contra-revolução Portuguesa, com desfecho fatal no 25 de Novembro, que nos levou à presente situação de penúria social.
Saudações ao POVO da Tunísia.
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
Desejos de uma rotura com a política atual, e que seja criada uma Nova Política, que nos proporcione um melhor ANO NOVO para todos.
Esta, foi a frase que escrevi como um desejo a alcançar no ANO NOVO, contudo, reconheço que não passará de mais um mero desejo, uma mera quimera ou utopia, se considerar-mos a constante apatia, a estática, o cansaço de tanta beborreia oratória, de retóricas infindáveis que temos vindo a assistir no comportamento dos políticos portugueses.
Os acontecimentos mais recentes, mostram-nos como os portugueses reagem de forma profundamente descontente e até revoltada, com as medidas gravosas de austeridade, levadas acabo por este governo do PS, com o apoio do PSD/CDS : aumento do IVA, corte dos abonos de família, cortes de salários, congelamento das pensões de reforma, etc, etc…
Mas, na realidade com o tempo, toda a gente acaba por se acomodar, á ideia vinculada pelos órgãos de informação dominados pela burguesia e suas instituições, de que afinal de contas, estamos atravessar uma fase económica e financeira muito difícil e que a culpa é do mercado internacional em abstrato, escondendo e abafando a gatunagem que campea à rédea solta, particularmente nos bancos portugueses, sem que nada aconteça.
O dinheiro que essa gatunagem de colarinho branco, roubou no BPN e BPP, está agora a ser reposto com o dinheiro dos contribuintes, melhor dizendo, com o nosso dinheiro. Dizem eles, a burguesia, que teria de ser assim, porque se assim não fosse, podia ter acontecido um «efeito de dominó». Os portugueses, mais uma vez lá tiveram que engolir este «sapo vivo», e de sapo em sapo, chegamos a esta situação vergonhosa de um país à deriva, sem futuro, sem empregos.
Depois como a cereja em cima do bolo, ou como que um bálsamo, vêm as instituições religiosas apelar, como sempre, à resignação, ao amor, ao espírito da caridadezinha, o que não passa da uma mera hipocrisia, e um certo conceito de colaboracionismo de sempre.
Mas, desiludam-se aqueles que julgam que o governo é o único culpado, não se esqueçam da justiça e as suas leis, que quanto a mim, são a chave-mestra deste problema.
Importa lembrar, que quem faz e aprova as Leis para a dita «justiça», são os deputados da maioria na Assembleia da República.
Como podem ver, é fácil ser juiz em causa própria…
BUENOS AIRES - O Tribunal Oral Federal Número 2 da capital argentina anunciou, ontem à noite, o veredicto para 17 ex-torturadores da ditadura militar (1976-83) que atuaram nos campos de detenção e tortura de El Olimpo, Club Atlético e Banco. Cerca de 1.500 civis, entre os quais velhos e crianças, foram detidos, torturados e assassinados.
Do grupo, os dois ex-torturadores mais famosos são Julio "El Turco" Simón e Samuel Miara, dois ex-policiais que operavam no "circuito" dos três centros de detenção. Ambos foram condenados à prisão perpétua. Os ex-torturadores foram acusados de 181 crimes, entre os quais torturas, sequestros, estupros e assassinatos.
Miara, além das torturas, ficou notório por sequestrar dois bebês, filhos de uma prisioneira política, com os quais fugiu para o Paraguai. Simón era famoso por estuprar as prisioneiras na frente de seus maridos, com a justificativa de que o fazia "pela Pátria". Ele ficou conhecido por seu sadismo extremo com os prisioneiros judeus e deficientes físicos. Ele ostentava frequentemente uma braçadeira com uma suástica e durante as sessões de tortura ouvia marchas alemãs e discursos de Adolf Hitler.
Na noite de terça, Simón quis sair da sala do tribunal quando os juízes estavam lendo sua sentença. No entanto, o tribunal não permitiu que se ausentasse durante a leitura. Simón retrucou: "mas estou a ponto de urinar em minhas calças!". A juíza Maria Garrigós de Rébori deu a tréplica: "não pode sair da sala". Durante o regime militar, Simón definia a si próprio como "Deus da vida e da morte".
Ariel Palácios, correspondente em Buenos AiresSócrates e Passos Coelho são “paus mandados”, diz Jerónimo de Sousa2010-05-15O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje o plano de austeridade quinta feira anunciado pelo Governo para reduzir o défice, garantindo que 90 % da factura será paga pelos assalariados e reformados. "Os trabalhadores e os reformados vão pagar 90 por cento da fartura, enquanto que aqueles que ganham milhões e milhões de euros por dia pagam apenas uma pequena fatia. Chamar a isto equitativo é, no mínimo, uma fraude, um embuste", referiu. Para Jerónimo de Sousa, o plano de austeridade, aprovado pelo PS e pelo PSD, é "uma subserviência vergonhosa a Bruxelas" e "uma rendição sem condições aos ditames do grande capital".
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"A preocupação central foi salvar aqueles que vão concentrando e acumulando fortuna, com o prejuízo de quem não teve culpa nenhuma [do défice]", referiu Jerónimo de Sousa, classificando os líderes do PS e do PSD como "paus mandados dos grandes mercados financeiros". Considerou que "este não é o caminho da estabilidade e do crescimento mas sim o caminho da instabilidade e do retrocesso social a todo o vapor" e apelou à luta contra as medidas agora anunciadas. "Os mesmos que acertaram a pancada a dar ao povo são os que lhe dizem para ficarem calados. Era o que faltava", insurgiu-se. Classificou PS e PSD "como farinha do mesmo saco" e criticou a "distinta ousadia" dos dois partidos "de se apresentarem como salvadores da Pátria", quando "têm uma responsabilidade histórica na actual situação do país", por estarem no poder há mais de 30 anos, "umas vezes com o CDS, outras sem o CDS". O Governo anunciou na quinta feira um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução do défice para 7,3 por cento em 2010 e 4,6 por cento em 2011. Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento das três taxas do IVA em 1 ponto, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento e a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras. Para Jerónimo de Sousa, esta redução de cinco por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras, exigida pelo PSD ao PS, não passa "uma peninha no chapéu" e de "puro cinismo". "Quem criou, legislou e atribuiu essas mordomias foram o PSD e o PS", sublinhou. Desafiou o Governo a aceitar a proposta do PCP de aliviar a carga fiscal sobre o IVA e a "ir buscar os mil milhões de euros de mordomias que estão atribuídas ao capital financeiro". |
Se o medo, a apatia e a resignação vão ser as constantes deste imenso rebanho da espécie humana, a democracia não tem nenhum instrumento para controlar os abusos do implacável poder económico e financeiro, que comete crimes horríveis. Se não há instrumentos, como se pode continuar a chamar democracia? É uma democracia de mãos e pés atados.
“El paso del gran pesimista”, Semanario Universidad, San José de Costa Rica, 30 de Junho de 2005
In José Saramago nas Suas Palavras
As profundas transformações, económicas e sociais numa época de crise na Europa nos séculos XVII e XVIII, poderão muito bem elucidar-nos quanto à melhor compreensão da problemática situação de crise económica e suas mutações na actualidade, muito embora, utilizando para o efeito comparações em situações análogas, salvaguardando as devidas distâncias das épocas e contexto, podemos a partir desta narrativa elaborar uma reflexão com vista à melhor compreensão quanto à razão do aparecimento e existência das crises suas origens, consequências e porventura as suas contradições. Por outro lado a possibilidade de identificar as motivações subjacentes às transições que se operaram na transformação da economia nessa época como resposta a uma crise agrícola. Naturalmente que as crises não aparecem por acaso, há sempre causas e motivações resultantes de vários factores. Podemos aqui fazer uma apreciação ou reflexão das motivações que levaram à transição do feudalismo, para o capitalismo, ou seja, a transição do trabalho do campo, para o trabalho da indústria, em virtude do estado de depressão a que chegou a agricultura e ainda, a consequente mobilidade da indústria da cidade para as zonas rurais, a transição do trabalho domiciliário para um trabalho colectivo dando origem ao aparecimento de uma nova classe do proletariado.
Se comparar-mos essa transformação e reestruturação aos nossos dias, em que os antigos métodos mecanizados deram lugar ao aparecimento das novas tecnologias, que ao contrário do que determinados pensadores e ideólogos diziam, vinham para libertar a humanidade, na verdade o que se verifica, é que tudo não passou de uma mera utopia de boas intenções, sendo que, afinal pelo contrário se constata, que as novas tecnologias vieram não para libertar o homem, mas antes para o penalizar.
Em termos comparativos podemos concluir que nos referidos séculos XVII e XVIII, a crise da época, tinha outras origens muito diferentes da crise dos nossos dias, ou seja, enquanto que nessa época a produtividade assentava na importância vital do trabalho manual e artesanal, tudo oscilava em função da baixa ou alta demografia provocada pela enorme mortalidade devido às guerras, pestes e epidemias, assim como, às más colheitas devido às condições climatéricas, no aparecimento de novas técnicas de produção e a diversificação da industria, de novas matérias primas, a conjugação dos preços do produto final e o alargamento do comércio a novos mercado, foram factores preponderantes na reestruturação de uma nova e progressiva economia, reflectindo-se num crescimento demográfico e numa melhoria das condições sociais da população.
Nos tempos de hoje, estamos perante um dilema contraditório em comparação com o antigo regime, ou seja, se por um lado com as novas tecnologias, se obtiveram grandes avanços para a humanidade, por outro lado houve grandes retrocessos no bem-estar dessa mesma humanidade, que se poderá traduzir na crise instalada na Europa contemporânea, nomeadamente com o galopante desemprego, motivado como já referi, pela substituição do trabalho humano, pelas máquinas tecnológicas e para além de mais, por uma produção assente numa mão de obra barata e em grande parte desqualificada, pelas sucessivas deslocalizações da indústria para países estrangeiros, em suma, pela destruição do aparelho produtivo, tudo isto, tolerado e consentido dando origem a um autêntico anarquismo económico, sendo que é bom de ver, que há quem tire proveito de tal situação, muito embora, haja quem preconize, uma nova ordem económica mundial, a verdade, é que tudo não tem passado de retórica. Ora esta crise, não acontece de forma abstracta, mas sim de forma concreta nomeadamente quando se ajudam os bancos e se sacrificam os povos, quando se tolera a desenfreada competição e ganância na obtenção de fabulosos lucros, com o beneplácito dos governantes do mundo. Um dos exemplos que acabo de expressar e que se prende como factor da crise contemporânea, foi sem dúvida o aparecimento da globalização, que teve por origem as novas tecnologias e que rapidamente se converteu numa «galinha de ovos de ouro», em benefícios financeiros de uns quantos, ou seja, de uma ínfima minoria da população mundial, contrastando com uma esmagadora maioria da população que se vê excluída e espoliada de uma vida digna, e quantas das vezes restando-lhes a morte pela falta de assistência medicamentosa para combater as doenças e sobretudo pela fome, que começa agora a alastrar com mais intensidade um pouco por toda a Europa, naturalmente com mais incidência e expressão no continente africano. Será esta crise, a peste negra contemporânea que nos vai dizimar?
Mais vale ser um cão raivoso
do que um carneiro
a dizer que sim ao pastor
o dia inteiro
e a dar-lhe de lã e da carne e da vida
e do traseiro
mais vale ser diferente do carneiro
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra.
Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado.
Mais vale ser um cão raivoso
que um caranguejo
que avança e recua e depois
solta um bocejo
e que quando fala só se houve a garganta
no gargarejo
mais vale não ser como o caranguejo
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra.
Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado.
Mais vale ser um cão raivoso
que uma sardinha
metida, entalada na lata
educadinha
pronta a ser comida, engolida, digerida
e cagadinha
Mais vale ser diferente da sardinha
um cão raivoso que sabe onde ferra
ferra fascistas e chama-lhe um figo
olhos atentos e patas na terra.
Viva o cão raivoso
tem o pelo eriçado
seu dente é guloso
e o seu faro ajustado
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado.
Mais vale ser um cão raivoso
dentes à mostra
estar sempre pronto a morder
e a dar resposta
a toda e qualquer podridão escondida
dentro da crosta
dentro da crosta das belas ideias
gato escondido de rabo de fora
dentro da crosta das belas ideias
gato escondido de rabo de fora.