Friday, July 6, 2012

AS PIONEIRAS INDÚSTRIAS ALGODOEIRAS NO VALE DO AVE


Introdução:
A escolha e abordagem deste tema, teve por principal motivo, tratar-se de uma indústria localizada na região das minhas origens e residência, e nomeadamente um tipo de indústria na qual exerci temporariamente a minha atividade profissional como serralheiro mecânico na manutenção de máquinas de fiação e tecelagem. Vou apenas abordar de forma sucinta, o pioneirismo da indústria algodoeira no Vale do Ave, que se reveste de uma importância fundamental para o desenvolvimento económico e social, através de uma dialética de progresso ao longo das margens do rio Ave e Vizela.
Descrição:
Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela (Negrelos)
O pioneirismo da indústria algodoeira no Vale do Ave, remonta a meados do século XIX, mais exatamente a 1845, ano em que um grupo de comerciantes do Porto, aliados numa sociedade constituída por emigrantes recém chegados do Brasil, portadores de grandes fortunas, estabeleceram uma sociedade que esteve na origem da instalação da primeira Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela, considerada na época a maior fábrica do Norte do país. “Em todo o caso, em 1848, a fábrica de Negrelos importou do estrangeiro 5140 arrobas de algodão em rama, tendo produzido 4369 arrobas de fio todo vendido no mercado nacional. Empregava já nessa altura 58 homens, 54 mulheres e 35 rapazes, com salários que oscilavam entre os 60 e os 440 réis, mas continuava ainda o trabalho de montagem de máquinas, pelo que as receitas ainda não cobriam as despesas. Em 1854, a capacidade de emprego da fábrica já tinha mais do que duplicado, verificando-se uma população operária de 155 homens, 151 mulheres e 92 rapazes, ou seja, quase quatro centenas de trabalhadores.” (ALVES,1995)
Na década de 50 era constituída por 3 a 4 mil operários, com 31.624 fusos e 1200 teares mecânicos. (ALVES,1995) Esta indústria foi inicialmente localizada em Negrelos na margem esquerda do rio, sendo mais tarde ampliada para a margem direita na localidade de Vila das Aves, onde foi construído um moderno edifício de raiz de grandes dimensões, ficando mais tarde, as velhas instalações da margem esquerda, destinadas a armazéns. A motivação da referida ampliação, para a margem direita do rio Vizela, deve-se à rápida expansão desta indústria e à exiguidade do terreno onde estava implantado o primitivo edifício, por outro lado, a implantação da linha férrea em 1938 na margem direita do rio Vizela que liga Porto a Guimarães, veio beneficiar esta indústria, contribuindo para uma maior eficiência na política de transporte de mercadorias, nomeadamente o carvão para as caldeiras que por sua vez, produziam energia a vapor. A construção da estrada nacional 105 que liga também Porto a Guimarães, inaugurada em 1875, foi outra infraestrutura importante para a emergente indústria têxtil no Vale do Ave, e para outras que entretanto se vieram a implantar na região. O algodão como matéria prima era proveniente das colónias portuguesas, desde meados do século XIX, nomeadamente de Angola e Moçambique. Com o Estado Novo, através do acto colonial de 1933, foram criadas novas condições no reforço da plantação do algodão, em vista, a uma maior produção através de incentivos financeiros, concedidos aos produtores, com empréstimos bancários de capital a juros mais baratos. (ALVES, 2002)

Fábrica de Sampaio & Ferreira Cª. em Riba D´Ave

 Em 1896 outra indústria algodoeira de grande importância se instalou no Vale do Ave, nomeadamente em Riba D´Ave mais concretamente na margem esquerda do rio Ave, tendo como seu proprietário Narciso Ferreira, homem de origens humildes que de muito novo apenas com 19 anos, como tecelão se envolveu na indústria doméstica, acumulando a atividade de comerciante dos seus produtos, sendo que mais tarde veio a tornar-se um influente industrial. Para se ter uma ideia do potencial da empresa de Narciso Ferreira no concelho de V. N. de Famalicão em 1889, basta dizer que em média as outras indústrias do concelho tinham 200$00 de capital e 8 a 20 operários, enquanto que Narciso Ferreira tinha, 400$00 de capital e 51 operários, sendo mulheres 35, com um consumo de fio de algodão de 6 contos de réis. (ALVES, 1999) A seguir a estas pioneiras indústrias algodoeiras, outras proliferaram na região ao longo dos rios Ave e Vizela, como por exemplo: A criação da Fiação do Bugio, em Fafe, datada de 1873, a Fábrica de Fiação e Tecelagem, em Retorta, Vila do Conde 1878, entre outras.
Em 1890, esta região do Vale do Ave, já era conhecida como uma importante região da indústria têxtil algodoeira, com um peso significativo na economia nacional.

Razões da Localização:

O porquê da localização das primeiras indústrias algodoeiras no Vale do Ave e porque não noutro local? Não houve apenas um só motivo para a sua localização, vários outros fatores se conjugaram na vinda destas indústrias para este local. Começaria por referir a tradição da localização da indústria doméstica artesanal do linho nesta região, a transição da tecelagem do linho para o algodão e o complemento através da fusão ou mistura do linho com a nova matéria prima que era o algodão, dava como resultado final um tecido de custos mais reduzidos, conhecido por fustão, muito embora menos resistente do que o linho, mas que satisfazia plenamente a sua utilidade, geralmente utilizado em vestuário dos indígenas das colónias e das camadas mais vulneráveis da população. (VRIES, p.143). A abundância de mão de obra disponível, mais dócil subserviente e menos reivindicativa comparada às zonas urbanas do Porto, foram outras das razões, da vinda destas indústrias para esta localidade. Outro fator foi sem dúvida o aproveitamento da energia hidráulica através de quedas e água dos rios e posteriormente o aproveitamento da água para a produção da energia a vapor, e mais tarde a produção de eletricidade.

Primeira Empresa Têxtil Elétrica de Bairro

No princípio do século XX , a partir do ano de 1905, é construída a primeira indústria têxtil elétrica, conhecida por Empresa Têxtil Elétrica, na freguesia de Bairro, do concelho de V.N. de Famalicão. (ALVES,1999)
Esta empresa era pela primeira vez,  movida totalmente a energia elétrica, através de pequena barragem hidroelétrica onde era turbinada energia que era aproveitada como força motriz no acionamento das máquinas têxteis e iluminação pública, substituindo assim, a energia a vapor. Mais tarde em 1958, o engº. Ferreira Dias como ministro da economia, dá um forte impulso à construção da Rede Elétrica Nacional, levando à prática a Lei 2002 elaborada por si nos anos 30, com a construção de várias barragens hidroelétricas nomeadamente nos rios Zêzere e Cávado. (ROLO, p. 344)


Transformações culturais, mobilidade e urbanismo:

No século XIX , houve uma grande emigração para o Brasil, tendo em conta a estagnação e a miséria latente em Portugal. Restava-nos um País constituído por uma ruralidade endémica com uma atividade agrícola a pare de uma indústria doméstica artesanal do linho era o único panorama existente como meio de subsistência da população antes da implantação destas pioneiras indústrias de tipo capitalista nesta região em 1845, a partir daqui, deu-se uma transformação radical e profunda nos hábitos e costumes da população e uma consequente explosão urbanística considerável, que alterou profundamente a paisagem, e como diz o poeta:

"Milagre que Deus fez pelo seu braço,
                                        onde cantavam dantes rouxinóis
                                         rangem agora máquinas de aço…"
                                                                                                       (Fernando Carneiro)

A implantação destas novas indústrias, veio sem dúvida, alterar o panorama social, mas também cultural e urbanístico da região, a partir de então assistiu-se a um surto de progresso que se traduziu a longo prazo, no melhoramento das condições de vida das populações, a pare de muitos e grandes sacrifícios, de gerações contínuas até aos tempos conturbados de hoje. A par de toda esta agitação fabril, também se assistiu a uma transformação profunda no panorama cultural, desde logo, por situações de choques de natureza psicológica junto das populações, por exemplo, criou-se uma campanha negativa sobre as primeiras mulheres que ingressaram na nova indústria têxtil, que habitualmente trabalhavam nos campos, eram acusadas de maus comportamentos,
desde logo, suspeitos e duvidosos aos olhos de outras mulheres que se mantiveram camponesas, isto é, levantavam-se preconceitos de ordem sexual e religiosa, que a seu tempo acabaram por se esbater. (COELHO) Outro fator cultural assinalável, deveu-se à construção das escolas técnicas, nas sedes dos concelhos, graças aos planos de fomento nos anos 50/60, que tiveram por finalidade a instrução e preparação de futuros técnicos e mestres na atividade têxtil entre outras.
A população que até então na sua maioria se dedicava às tarefas agrícolas nos campos, passaram a empregar-se nas indústrias que emergiam na região de forma crescente, fruto de uma dialética industrial emergente. Porém, apesar de se ocuparem nas novas atividades têxteis, os novos operários, mantinham em simultâneo as atividades agrícolas como complemento económico do seu agregado familiar. Porém, a concentração da indústria algodoeira nesta região, veio a provocar uma mobilidade de trabalhadores provenientes de outras localidades distantes, atraídos por um emprego consistente, na busca de melhores condições de vida. Ora esta dinâmica veio a traduzir-se numa profunda alteração da paisagem urbanística da região, ou seja, onde antes eram consideradas paisagens totalmente rurais, com o advento da implantação desta indústria, a região, veio a sofrer transformações consideráveis do ponto de vista urbanístico e citadino. Por exemplo, hoje à noite, por efeitos da iluminação pública, quem visitar o Vale do Ave dir-se-ia estar perante autênticas cidades das luzes.


Lutas operárias:
Havia na época uma diferença substancial no valor dos salários da região do Vale do Ave, comparado com o valor dos salários dos operários do Porto, ou seja, enquanto um tecelão ganhava no Vale do Ave entre $120 a $160 reis/dia, em 12 horas de trabalho, operários de outras profissões como carpinteiros e marceneiros ganhavam respetivamente $240 e $300 reis/dia. No Porto um tecelão ganhava $300 reis/dia. (ALVES,1995)
Eis aqui, uma das razões da vinda destas indústrias para o Vale do Ave. Contudo, mais tarde ou mais cedo, as lutas operárias por melhores salários e condições de vida tiveram o seu início no Norte, mesmo no tempo da Monarquia Constitucional em 1873, começaram a manifestar-se com as primeiras greves através de paralisações de tecelagens, promovidas pelo jovem movimento operário. (A.M./A.P./N.L.M. p.89) Já no início da primeira República, nomeadamente em 1910, houve novos surtos de greves, só comparáveis a seguir à revolução do 25 de Abril de 1974.
Em 1944 e 1954 houve uma grande agitação grevista nas indústrias têxteis do Vale do Ave, que nem a PIDE conseguiu evitar, devido à imposição de atribuir de 3 a 4 teares automáticos a um só operário. (A.M./A.P./N.L.M. p. 95)
Com as liberdades provenientes do regime Republicano, o movimento operário liderado sobretudo por anarco-sindicalistas, aproveitou o momento favorável para se organizar e em 15 a 17 de março de 1914, teve lugar em Tomar o 1º Congresso Nacional Operário e criada então, a União Operária Nacional – UON, primeira central sindical portuguesa.
A 15 de Setembro de 1919 realiza-se, em Coimbra, o II Congresso da UON em que foi decidido criar a Confederação Geral do Trabalho – CGT, constituída por operários revolucionários os quais, decidiram criar a Federação Maximalista Portuguesa, embrião do Partido Comunista Português.(ADELAIDE, 2010).
A constituição do Partido Comunista Português, a 6 de Março de 1921, constitui um acontecimento maior na organização do movimento operário português. A classe operária passa a dispor de uma organização política que assume de forma clara a defesa dos seus interesses, dos seus direitos, da sua emancipação e, mais que isso, apresenta um projecto revolucionário para a construção de uma sociedade sem classes.
(ADELAIDE, 2010)
Mas, a liberdade sindical foi sol de pouca dura, tendo em conta o advento da ditadura sidonista. Sendo Sidónio Pais no início apoiado com os votos dos anarquistas, uma vez no poder, foi acusado de traição pela repressão então exercida sobre os trabalhadores.
Entretanto Sidónio Pais ao fim de um ano no poder, acabou assassinado, na estação do Rossio em Lisboa. Mais tarde, com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, e a instauração da ditadura militar, seguida em 1933, da ditadura do Estado Novo, nova e longa repressão se abateu sobre os trabalhadores portugueses. Em 1 de Maio de 1927, todos os comícios foram proibidos e dissolvida a CGT, central sindical dos trabalhadores. Foi proclamado em 1933, o corporativismo que imponha pela força uma colaboração contranatura dos trabalhadores com os patrões com o objetivo de por fim à eterna luta de, classes, o que nunca veio a acontecer apesar de o regime usar tenebrosos meios repressivos através da polícia política PIDE/DGS, sobre diversos dirigentes operários incluindo a prisão, tortura e assassinatos, situação que penosamente se arrastou ao longo de 48 anos até à conquista da liberdade com a revolução do 25 de Abril de 1974.

 Conclusão:

A indústria têxtil do Vale do Ave depois de todos estes gloriosos anos de atividade constante, tudo indicava ser irreversível, quando menos se esperava, tudo ruiu de forma abrupta, mergulhando numa profunda crise todo o sector, com a falência em catadupa da esmagadora maioria das grandes fábricas têxteis desta região, atirando para o desemprego milhares de famílias sem recursos imediatos a novos empregos, o que acabou por gerar uma dramática calamidade social, designadamente provocando muitas situações de miséria e fome. O cenário desolador das ruínas dos edifícios nesta região, é bem a prova da tragédia consumada. Naturalmente que esta situação teve as suas causas e origens, que muitos aproveitaram para atribuir de forma abstrata a fatores de ordem internacional mais conhecidos por globalização, como forma de enjeitar responsabilidades dos verdadeiros culpados desta nefasta situação. Então, poder-se-á perguntar porque se chegou a esta situação?
Não será por acaso, mais um efeito da ganância de um «prestigiado» capitalismo (agora denominado por economia de mercado), com as famigeradas deslocalizações em busca de mão de obra barata?




Bibliografia:

ALVES, Jorge Fernandes; Silvestre Lacerda - Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela - As origens. In O TRIPEIRO, 7ª série, ano XV (1995), nº 1-2 (Janeiro/Fevereiro), p. 41-46, e nº 3, p. 84-88-http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1187.pdf
ALVES, Jorge Fernandes - A Indústria Têxtil do Vale do Ave. In MENDES, José Amado; FERNANDES, Isabel (Coord.) - Património e Indústria no Vale do Ave. Vila Nova de Famalicão: Adrave, 2002, p. 372-389. - http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1183.pdf
VRIES, Jan de – Economia da Europa numa Época de Crise – Indústria em Reestruturação
ROLO, Maria Fernanda - Análise Social,vol. xxxi (130-137), 1996 (2.°-3.°), 343-354 - http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223394207B2vIB7hv3Hv03QU8.pdf
BRITO, José Maria Brandão de
A.M./A.P./N.L.M. – Arnaldo Melo/Amélia Polónia/Nuno Luís Madureira – História do Trabalho e das Ocupações. Vol. I A Indústria Têxtil. 1ª ed. Oeiras: Celta Editora, 2001. 297 p. ISBM: 972-774-126-6
ADELAIDE Pereira Alves, O Movimento Operário Português e a República; O Militante, Nº 306 – Mai/Jun 2010. História. http://www.omilitante.pcp.pt/pt/306/Historia/418/
Testemunho oral:
COELHO, Ana Joaquina Martins - Tecedeira na Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Vizela (Negrelos), a partir de 1919, atualmente com 103 anos de idade.

Thursday, February 16, 2012

O QUEIJO DA DISCÓRDIA

Aquando a inauguração da rotunda, que o povo imediatamente batizou por “Rotunda do Queijo”, a colocação do “queijo” foi nessa altura, pretexto de um contratempo até mais tarde ser substituído por uma obra de arte digna desse local (diziam eles), a verdade é que o autor da proeza vai-se embora e deixa-nos o emblemático queijo, como obra definitiva que identifica bem o conceito de estética e beleza que o autor destinou à Vila das Aves, designadamente a este local. É efetivamente uma herança notável, deslumbrante. Há já quem vislumbre em substituição do queijo, por uma estátua do autor- benfeitor, a promover pelo seu sucessor, como um ato de gratidão.

Saturday, January 14, 2012

Carta aberta ao meu amigo ZÉ

Começaria por te dizer meu caro amigo, que compreendo muito bem as tuas dúvidas, incertezas e inquietações sobre os rumos da igreja católica.
Oh se compreendo!
Tenho 66 anos e na minha juventude, ou seja, nos anos 60 em pleno regime fascista, fui um fervoroso militante da Ação Católica (Juventude Operária Católica). Este organismo que reconheço ter sido uma escola cívica e social, contribuiu de forma decisiva para aquilo que entendo ser hoje, a minha consciência política, cívica e social que, com a vivência dos tempos provocou em mim vicissitudes irreversíveis acerca daquela opinião, simples e pura que então eu tinha sobre o comportamento e objectivos da igreja.
Hoje, reconheço com amargura, que a igreja é contra a liberdade, igualdade e fraternidade, como desde sempre foi contra o iluminismo, muito embora tenha ações meritórias no campo social, a verdade é que por detrás deste cenário ilusório e aparentemente simpático, se escondem objetivos tenebrosos e inconfessáveis, isto, tendo em conta a sua inserção numa sociedade em que o binómio igreja/capitalismo sempre estiveram aliados, e a esmola como caridade, funciona associada como um estigma determinante na continuidade e consistência desta velha aliança, isto é, a população mais pobre e carenciada tanto em termos económicos, como culturais, acaba por ficar refém desta falsa subsistência, e com isto ficam manietados e resignados, perdem a sua natural capacidade reivindicativa dos seus direitos constitucionais, prevalecendo de forma contínua a condição de subserviência tutelada, e podes crer, que nada disto acontece por obra do acaso. E quando a igreja usa encenações de “caridade cristã”, fazem-no com o intuito de almofadar a ira e o descontentamento da população, porque no fundamental, receiam uma revolta popular, que teria consequências imprevisíveis para os poderes vigentes.
Outra das vergonhosas e chocantes razões, é a eterna ação de simonia praticada pela igreja, ao longo dos séculos, que naturalmente se traduz na angariação de fundos, para reverter no show off da caridade dita “cristã”, veja-se o caso dos constantes peditórios, ora para as obras da igreja, para as telhas da residência paroquial, para festas e romarias, procurando aos olhos dos incautos dar uma imagem de dificuldades e de pobreza, ou seja, tiram com as duas mãos e para dar com uma, procuram fazê-lo de preferência em show off frente às câmaras da televisão, como aconteceu ainda recentemente em Braga na entrega de meia dúzia de cabazes de Natal. A mais valia, de toda esta pedinchice, incluídos os rendimentos de Fátima, fica nos secretos segredos dos offshores ou paraísos fiscais, para acumulação e ostentação do riquíssimo e basto património do Vaticano. Se Cristo cá voltasse teria naturalmente muito trabalho, ou como se diz, não teria mãos a medir para escorraçar uma enorme quantidade de vendilhões do Templo.
Muito mais havia a dizer, mas para finalizar, não ficaria de bem com a minha consciência se não referisse que a igreja sempre foi e continuará a ser uma aliada dos poderosos, sobretudo, a partir do Édito de Milão no ano (313 d.c.) na era do imperador Constantino, até aos nossos dias, passando pelo tenebroso Santo Ofício, mais conhecido por inquisição, praticado desde 1536 no reinado de D. João III e abolido com o liberalismo em 1821.

O teu amigo,
Manuel Trindade

Saturday, December 10, 2011

Auschwitz Alemão em Teritorio Polones - Documentário sobre a II Guerra ...


Jamais podemos esquecer as câmaras de gás, os fornos crematórios e a valas comuns de Auschwitz, sabendo nós, que ainda existem criaturas de "boa cepa", que se pavoneiam por aí impunes, que colaboraram neste odioso holocausto!

Saturday, October 22, 2011

Eles comeram a carne, e deixaram-nos os ossos !

Dias Loureiro!...

A viver actualmente à grande e à fartazana em Cabo Verde.
É o dono do maior Resort Turístico da Ilha do Sal...
( ... é aquela ilha, daquele país africano onde o BPN
criou umas "sucursais" e um banco mais ou menos virtual, com que se faziam umas operações de lavagem
e fugas ao fisco, etc. etc...
)

PS -
Alguém dá por ele na nossa imprensa?
O que nos leva a pensar tal esquecimento..?
Como vêem é fácil fazer esquecer um roubo superior a mais de 4 mil milhões de euros, quando,se tem amigos...por todo o lado...

Tuesday, September 20, 2011

D. Januário Torgal: "Tenho vergonha do meu País"

O bispo das Forças Armadas acusa o governo de falta de sensibilidade e de incompetência diante da multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade e do respeito por elas próprias. E diz que não quer ser cúmplice.
D. Januário Torgal: não devo dormir tranquilo perante toda esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade. Foto da Lusa

Numa entrevista ao jornalista Manuel Vilas Boas, da TSF, o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, diz não querer ser cúmplice com “esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade, do respeito por elas próprias”, elogia a esquerda e acusa o governo de falta de sensibilidade e de incompetência.

“Tenho vergonha porque numa casa onde os mais pequenos não se podem sentar à mesa e comer do mesmo pão, que é o pão dos direitos e da dignidade, quem estiver a presidir à mesa deve sentir-se cúmplice”, disse D. Januário. “E se nos dizemos Igreja, servidores do mundo, devo sentir-me cúmplice e não devo dormir tranquilo perante toda esta multidão de pessoas que já foram desapossadas da sua dignidade, do respeito por elas próprias e a quem as promessas vão no pior sentido”.

Januário recorda o passado e diz ter tido vergonha da Igreja quando esta se calou e se ajoelhou diante de Salazar. Lembra que homens da Igreja foram educados no medo e não na liberdade e no à vontade de dizer o que pensam.

E afirma que hoje em dia, uma pessoa que toca em aspectos sociais é alguém que é de esquerda. “Mas então honra seja feita à esquerda”, afirma, apontando que há muitos comunistas que são mais católicos que muitos católicos”. E questiona: “porque é que só em momentos eleitorais se vai para as feiras? Se vai para os banhos de multidão e se dá beijinhos em gente mais simples?”

Quanto ao actual governo, D. Januário nota falta de sensibilidade nuns casos e noutros perfeita incompetência. “A gente vai dizer para o governo se sentar e nos ouvir”. Não fomos educados na arte do diálogo”, diz, referindo-se também aos que fazem críticas à Igreja.

O bispo das Forças Armadas aponta a falta de cultura democrática que ainda existe, “As pessoas não estão habituadas a quem vem manifestar oposição”.E dá como exemplo a coluna dominical de domingo de Frei Bento Domingues no Público. “Para a mentalidade de muitas pessoas, ele não é nada meigo, diz uma palavra que tem uma originalidade única. Mas há pessoas que ficam incomodadas...”

D. Januário alerta que “há muita gente que gostaria do regresso de Salazar. Isso é uma tragédia”. Mas, na sua opinião, devemos tratar essas pessoas como o Salazar nunca ousou tratar quem diferia dele. “Tratar as outras pessoas de forma diferente que essas pessoas, nas suas fontes culturais, trataram as outras”, isto é, com democracia.

O bispo das Forças Armadas alerta que “há quem não defenda a ditadura, mas que defenda que uma ditadurazinha de algum tempo, que uns safanõezinhos faziam muito bem. Eu digo, os safanões, o prender, o bater só faz mal.”

O que o leva à crítica à guerra do Iraque. “Houve jornalistas que me chamaram 'fundamentalista do Iémene' quando eu disse que estava em total desacordo com a guerra do Iraque”, recorda. D. Januário defende a Primavera dos países árabes e nota que não houve tiques religiosos, o que houve foi tiques de cidadania. “São islâmicos, e portanto o Islão é compatível com a liberdade e até com a democracia. Ao contrário do sr. Bush, que queria impor a democracia com as armas, pode-se chegar à democracia através da razão”.

Saturday, September 17, 2011

HOMENAGEM


Bispo D. Januário capelão das Forças Armadas - Ex. bispo de Setúbal D. Manuel Martins


Quero aqui prestar a minha singela homenagem de admiração e estima por estas duas proeminentes figuras públicas da igreja católica portuguesa, na actualidade, pela coragem e lucidez das posições que ambos têm vindo a assumir, na defesa das suas convicções cristãs, ou seja, na defesa dos mais pobres, dos humilhados e excluídos da nossa sociedade.

Efectivamente estamos perante duas personalidades incómodas para com os poderosos, o conservadorismo, os silêncios e a apatia da sociedade portuguesa, tal como acontecia no nefasto tempo da ditadura, em que outra figura pública, como o saudoso bispo do Porto D. António Ferreira Gomes, se notabilizou pela sua coragem na luta contra o fascismo.

Num preciso momento de servidão, em que o país se encontra, a caminhar a passos largos para o desastre, para o abismo, estes homens de bem, saíram das suas cátedras, para denunciar esta política de agressão contra o povo português, que está a ser levada a cabo, por este governo do PSD/CDS e com o acordo do PS.

Não vemos até ao momento, que outros altos dirigentes da igreja o tenham feito, antes pelo contrário vemos outras figuras como o cardeal D. Policarpo, tal como o cardeal Cerejeira no tempo da ditadura, a colaborar com esta política sinistra, com o corte do subsídio de Natal, com os aumentos dos transportes, aumento do IVA, do gás e electricidade.

Ninguém nega a D. Policarpo o direito à sua opinião pessoal, agora, aproveitar-se de forma abusiva do alto cargo que ocupa na hierarquia da igreja para vir a público pronunciar-se como apoiante do corte de subsídio de Natal, ou qualquer outra opinião de cariz político facioso, é expor-se publicamente e sujeitar-se a críticas ora benévolas ora violentas.

Fica assim provado, que dentro da igreja, ao contrário do que algumas criaturas tenta fazer crer, também há diferenças de opinião política, para não dizer luta de classes, não fosse ela (igreja), constituída por homens.

TESTEMUNHOS:

D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, diz que não entende bem as medidas de austeridade impostas pelo Governo, avisando que poderão ter elevados custos sociais.

«É preciso ter muito cuidado. Porque é nestas horas que se fazem grandes fortunas. E, sobretudo, é nestas horas em que os mais pobres ficam mais pobres e alguns ricos ficam muitíssimo mais ricos», disse o prelado no Funchal, à margem da comemoração dos 58 anos da Força Aérea Portuguesa.

O bispo referiu que, «nesta altura, pedir austeridade é pedir sobretudo aqueles que ganham mais», dizendo que, em muitos casos, «não é isto que está a acontecer».

«Nós temos de lutar e dizer em voz alta, com respeito, respeitando a liberdade, respeitando as pessoas, mas respeitando antes de mais a verdade», apontou.

(D. Januário, bispo capelão das Forças Armadas)

«Vejo esta crise com muita apreensão, com muito desgosto, com alguma vergonha. Estou convicto que esta crise era evitável se à frente do país estivessem pessoas competentes, isentas, pessoas que não se considerassem responsáveis por clubes, mas que se considerassem responsáveis por todo um povo, cuja sorte depende muito deles. E fico muito irritado quando, por parte desses senhores, que nós escolhemos e a quem pagamos generosamente, vejo justificar que esta crise impensável por que estamos a passar, é resultante de uma crise mundial. Há pontas de verdade nesta justificação. Esta crise, embora agravada por situações internacionais, é uma crise que já podia ter sido debelado por nós há muito tempo, se nós não andássemos a estragar o dinheiro que precisávamos para o pão de cada dia.(...) Estas situações, da maneira como estão a ser agravadas e, sobretudo, da maneira como estão a ser mal resolvidas, podem ser focos muito perigosos de um incêndio que em qualquer momento pode surgir e conduzir a uma confrontação e a uma desobediência civil generalizadas (...). Mete-me uma raiva especial quando vejo o governo a justificar as suas políticas e as suas preocupações de manter e conservar e valorizar o estado social do país. Pois se há alguém que esteja a destruir o estado social do país, é o governo, com o que se passa a nível da saúde, a nível da educação, a nível da vida das famílias, dos impostos, dos remédios, mas que tem só atingido as pessoas menos capazes, enfim as pessoas que andam no chão, as pessoas que estão cada vez com mais dificuldades em viverem o dia-a-dia, precisamente por causa destas medidas do governo.»

(D. Manuel Martins antigo bispo de Setúbal)