De há uns tempos a esta parte, de então para cá, muitos acontecimentos políticos e não só, tiveram lugar a nível nacional assim como a nível local. Começaria por referir apenas e só, os acontecimentos a nível local, e dizer como avense, que me congratulo com a compra do Amieiro Galego pela Junta de Freguesia, assim como, a entrega da devida Quinta dos Pinheiros à Junta de Freguesia, muito embora, não fosse entregue a totalidade da quinta, como inicialmente estava determinado, mas como diz o povo, “mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar”.
Reconhecemos sem dúvida, que houve aqui nestes dois casos um trabalho profícuo e meritório do senhor Presidente da Junta de Vila das Aves, a quem desde já, tiro o meu chapéu, muito embora, não fizesse mais nem menos daquilo que lhe competia por obrigação, enquanto Presidente da Junta.
Contudo porém, importa referir que noutras latitudes, nem tudo são rosas quanto à postura e conduta do senhor Presidente da Junta. Espanta-nos, quando por várias vezes reivindicou publicamente “AMOR À TERRA” mas depressa esse propalado “amor”, se converteu em desprezo pelo bem-estar social das pessoas desta mesma terra. E digo isto, sem qualquer tibieza, ou sequer arrependimento. Eu explico:
Quando um partido político denuncia publicamente a degradação da vida social das pessoas, como aliás lhe compete, através de cartazes, mupis ou o que quer que seja, Código do Trabalho, os despedimentos, a desregulamentação de horários, redução de salários, ataque à contratação colectiva, e quando esses cartazes, mupis ou o que quer que seja, são rasgados pelo senhor Presidente da Junta, eu pergunto:
O que pretende esconder o senhor Presidente da Junta? O que será isto senão uma atitude de desprezo pelas condições sociais para com as pessoas desta terra? Tendo em conta que a sua esmagadora maioria são trabalhadores, sujeitos e condicionados a estas vigentes regras da exploração capitalista? Quando borra com tinta branca, (sinal de paz podre), o direito à liberdade de expressão e rasga todas as mensagens do PCP. Estas atitudes inqualificáveis, são indignas, sobretudo vindas do senhor Presidente da Junta de Freguesia.
Graças à hegemonia eleitoral que desfruta, dir-se-ia, que se comporta como um polícia da “ordem, da moral e dos bons costumes”, como que se, a Vila das Aves fosse a sua coutada privada. Quem não se lembra da recente vandalização feita por desconhecidos, da propaganda do PS na Rotunda do Queijo e do PSD no cruzamento da Avenida de Paradela que oportunamente denunciamos, como um acto vândalo próprio de arruaceiros. Pois que eu saiba, ainda hoje se desconhecem os seus energúmenos e atrevidos autores. Pois bem, o senhor Presidente da Junta, não teve qualquer pejo, em entrevista ao jornal Entre Margens, vir reivindicar o seu acto como se vangloriando pela sua vergonhosa proeza, alegando que foi ele que rasgou e borrou com a tal tinta da paz podre a mensagem do PCP. Fica assim provado aos olhos da opinião pública a liberdade e a democracia que esta gente diz defender.
Para terminar importa dizer, que estas atitudes do senhor Presidente da Junta de Vila das Aves, já não nos surpreendem, tendo em conta que não lhe reconhecemos no passado nem no presente, qualquer posição na defesa dos anseios das pessoas. Trata-se por consequência de puro protagonismo pessoal e ausência de respeito e sensibilidade para com a vida social das populações.
BEM-VINDOS, Após um período de inactividade deste blog por motivos de ordem e afazeres pessoais, eis que finalizadas as "obras", reiniciamos a actividade com novas cores e temas condizentes com a actualidade política local e não só.
Quando escrevo estas palavras, em simultâneo estou a ouvir através da televisão as habituais promessas eleitorais acompanhadas de altos gritos, como é apanágio dos nossos políticos. Para logo de seguida e uma vez no poder, dar o dito por não dito.
Como se isso não bastasse, em vez do sereno esclarecimento dos eleitores, da grave situação em que o país se encontra, antes preferem em plena campanha eleitoral, entupir-nos com notícias inventonas para nos desviar atenções como por exemplo: escutas ao Presidente da República, asfixia democrática e outras manobras de diversão em que o PS e o PSD/CDS sai beneficiados deste grupo coral afinado pelo mesmo diapasão.
Continuamos inexplicavelmente, a deixar-nos embalar pelos mesmos que há 33 anos, foram e são os culpados da situação a que chegou este país.
Não basta protestar, por exemplo: como acontece pela falta de médicos no Centro de Saúde da Vila das Aves, é preciso sabermos interpretar as razões porque é que isto acontece, e sabermos nos momentos próprios penalizar nas urnas os responsáveis por esta situação, que passa naturalmente por aqueles que nos tem governado.
É fundamental em actos eleitorais, (para isso é que eles existem), sabermos distinguir aqueles que de facto nos defende, daqueles que se aproveitam com demagogias e falsas promessas, como temos visto.
Não devemos cair sistematicamente nas mesmas armadilhas que nos montam em vésperas dos actos eleitorais, temos de estar atentos para não entregar o “ouro ao bandido”.
Realizadas as eleições legislativas, seguem-se as eleições autárquicas no próximo dia 11 de Outubro. Saibamos estar à altura na escolha serena dos nossos mais fiéis representantes da freguesia, assim como da câmara municipal. Saibamos escolher aqueles que mais traduzem na prática o querer e a vontade do povo a que pertencem.
Não conheço e nunca vi, nenhuma referência tanto do Presidente de Junta, assim como do Presidente da Câmara a solidarizar-se, ou apenas dirigir uma simples palavra que seja, de conforto e apoio, para com os trabalhadores e desempregados desta terra ou deste concelho e são mesmo muitos, como é sabido.
Ora esta posição, é quanto a nós, significativa e nos demonstra à evidência com quem se entende e com quem está esta gente, naturalmente que não será com os trabalhadores e muito menos, com os milhares de desempregados deste concelho, que infelizmente mais uma vez vão dar o seu voto aqueles partidos que mais directamente contribuíram, como autênticos coveiros da sua actual situação de desemprego, quanto mais não seja, pelo apoio dado às políticas neoliberais, praticadas pelo poder económico nacional e internacional.
Saibamos utilizar a nossa inteligência na defesa dos nossos verdadeiros interesses.
Repito, jamais podemos entregar “o nosso ouro ao bandido”!!!
Recebi com grande agrado e satisfação, estou certo, assim como a grande maioria dos avenses, a notícia que faltava: A compra das Termas do Amieiro Galego, pela Junta de Freguesia. Ora aqui está, uma decisão de excelência, há muito esperada. Qualquer avense sensato que se preze, só poderá ficar satisfeito com a concretização e realização deste desiderato. As Termas do Amieiro Galego, muito embora e apesar dos seus 1191 metros quadrados de área do terreno onde está inserida a nascente, desde sempre, foi propriedade da firma Sampaio Ferreira & Cª. Ldª., a qual se encontra actualmente em processo de insolvência, na realidade, há mais de um século que as águas sulfurosas são por assim dizer um património da nossa população e seria muito grave se esse património passasse para mãos privadas, como alguém erradamente fez constar, apropriando-se indevidamente do terreno incluindo a construção ilegal de um muro de vedação, com portão fechado à chave. Lamentável, foi ver responsáveis das autarquias dar cobertura, a esta falaciosa operação. Por informação via «email», em Setembro de 2004, foi realizada uma inspecção ao local pelos técnicos do Departamento de Hidrogeologia do INETI, organismo estatal responsável pelas nascentes de águas sulfurosas, depois de analisadas foram consideradas de excelente qualidade, que poderão vir a ser reutilizadas como termas, em benefício da saúde pública, muito embora, seja necessário proceder à substituição das actuais captações por uma captação com características técnicas adequadas, que salvaguarde e acautele a utilização do recurso e evite a degradação e poluição do mesmo. Para além de mais, referia a notícia que a Junta de Freguesia vai de imediato propor à Câmara Municipal a compra das Termas do Amieiro Galego e dizia: Caso a Câmara Municipal rejeite a proposta, propõe-se a Junta de Freguesia fazer uma subscrição pública junto dos avenses para concretizar esse objectivo. Ora nem mais nem menos, esta será quanto a nós, a solução ideal a seguir de imediato. Mas como ressalva, estou em crer e espero bem, que não estejamos perante uma operação de charme para caça ao voto, e tudo se resuma a um logro ou uma mera ilusão e dizemos isto, porque tememos pelo seu desfecho como obtenção ou perda de uma mais-valia para a freguesia, quando sabemos, tratar-se de uma venda em hasta pública (leilão), por propostas apresentadas em carta fechada, logo, nada nos garante à partida que estejamos perante um dado adquirido, isto são, apenas meras objecções e preocupações de “anónimos saudosistas inconformados”.
António Marinho Pinto
Bastonário da Ordem dos Advogados
«MÁRIO SOARES
[Por António Marinho (advogado e jornalista) in «Diário do Centro», de 15 de Março de 2000]
MÁRIO SOARES E ANGOLA
A polémica em torno das acusações das autoridades angolanas segundo as quais Mário Soares e seu filho João Soares seriam dos principais beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levados a cabo pela UNITA de Jonas Savimbi, tem sido conduzida na base de mistificações grosseiras sobre o comportamento daquelas figuras políticas nos últimos anos.
Espanta desde logo a intervenção pública da generalidade das figuras políticas do país, que vão desde o Presidente da República até ao deputado do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, passando pelo PP de Paulo Portas e Basílio Horta, pelo PSD de Durão Barroso e por toda a sorte de fazedores de opinião, jornalistas (ligados ou não à Fundação Mário Soares), pensadores profissionais, autarcas, «comendadores» e comentadores de serviço, etc.
Tudo como se Mário Soares fosse uma virgem perdida no meio de um imenso bordel.
Sei que Mário Soares não é nenhuma virgem e que o país (apesar de tudo) não é nenhum bordel. Sei também que não gosto mesmo nada de Mário Soares e do filho João Soares, os quais se têm vindo a comportar politicamente como uma espécie de versão portuguesa da antiga dupla haitiana «Papa Doc» e «Baby Doc».
Vejamos então por que é que eu não gosto dele(s).
A primeira ideia que se agiganta sobre Mário Soares é que é um homem que não tem princípios mas sim fins.
É-lhe atribuída a célebre frase: «Em política, feio, feio, é perder».
São conhecidos também os seus zigue-zagues políticos desde antes do 25 de Abril. Tentou negociar com Marcelo Caetano uma legalização do seu (e de seus amigos) agrupamento político, num gesto que mais não significava do que uma imensa traição a toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na luta contra o fascismo.
JÁ DEPOIS DO 25 DE ABRIL, ASSUMIU-SE COMO O HOMEM DOS AMERICANOS E DA CIA EM PORTUGAL E NA PRÓPRIA INTERNACIONAL SOCIALISTA. Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e executar o golpe contra Salvador Allende no Chile e que colocara no poder Augusto Pinochet.
Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas portugueses como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e FOI AMIGO DE NICOLAU CEAUCESCU, FIGURA QUE CHEGOU A APRESENTAR COMO MODELO A SER SEGUIDO PELOS COMUNISTAS PORTUGUESES.
Durante a revolução portuguesa andou a gritar nas ruas do país a palavra de ordem «Partido Socialista, Partido Marxista», mas mal se apanhou no poder meteu o socialismo na gaveta e nunca mais o tirou de lá. Os seus governos notabilizaram-se por três coisas: políticas abertamente de direita, a facilidade com que certos empresários ganhavam dinheiro e essa inovação da austeridade soarista (versão bloco central) que foram os salários em atraso.
INSULTO A UM JUIZ
Em Coimbra, onde veio uma vez como primeiro-ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores com salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o que Soares tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores foram presos por polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o tipo de crime em causa exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve outro remédio senão libertar os detidos no próprio dia. Soares não gostou e insultou publicamente esse magistrado, o qual ainda apresentou queixa ao Conselho Superior da Magistratura contra Mário Soares, mas sua excelência não foi incomodado.
Na sequência, foi modificado o Código Penal, o que constituiu a primeira alteração de que foi alvo por exigência dos interesses pessoais de figuras políticas.
Soares é arrogante, pesporrento e malcriado. É conhecidíssima a frase que dirigiu, perante as câmaras de TV, a um agente da GNR em serviço que cumpria a missão de lhe fazer escolta enquanto presidente da República durante a Presidência aberta em Lisboa: «Ó Sr. Guarda! Desapareça!». Nunca, em Portugal, um agente da autoridade terá sido tão humilhado publicamente por um responsável político, como aquele pobre soldado da GNR.
Em minha opinião, Mário Soares nunca foi um verdadeiro democrata. Ou melhor é muito democrata se for ele a mandar. Quando não, acaba-se imediatamente a democracia. À sua volta não tem amigos, e ele sabe-o; tem pessoas que não pensam pela própria cabeça e que apenas fazem o que ele manda e quando ele manda. Só é amigo de quem lhe obedece. Quem ousar ter ideias próprias é triturado sem quaisquer contemplações. Algumas das suas mais sólidas e antigas amizades ficaram pelo caminho quando ousaram pôr em causa os seus interesses ou ambições pessoais.
Soares é um homem de ódios pessoais sem limites, os quais sempre colocou acima dos interesses políticos do partido e do próprio país.
Em 1980, não hesitou em APOIAR OBJECTIVAMENTE O GENERAL SOARES CARNEIRO CONTRA EANES, NÃO POR RAZÕES POLÍTICAS MAS DEVIDO AO ÓDIO PESSOAL QUE NUTRIA PELO GENERAL RAMALHO EANES. E como o PS não alinhou nessa aventura que iria entregar a presidência da República a um general do antigo regime, Soares, em vez de acatar a decisão maioritária do seu partido, optou por demitir-se e passou a intrigar, a conspirar e a manipular as consciências dos militantes socialistas e de toda a sorte de oportunistas, não hesitando mesmo em espezinhar amigos de sempre como Francisco Salgado Zenha.
Confesso que não sei por que é que o séquito de prosélitos do soarismo (onde, lamentavelmente, parece ter-se incluído agora o actual presidente da República (Mário Soares), apareceram agora tão indignados com as declarações de governantes angolanos e estiveram tão calados quando da publicação do livro de Rui Mateus sobre Mário Soares. NA ALTURA TODOS METERAM A CABEÇA NA AREIA, INCLUINDO O PRÓPRIO CLÃ DOS SOARES, E NEM TUGIRAM NEM MUGIRAM, APESAR DE AS ACUSAÇÕES SEREM ENTÃO BEM MAIS GRAVES DO QUE AS DE AGORA. POR QUE É QUE JORGE SAMPAIO SE CALOU CONTRA AS «CALÚNIAS» DE RUI MATEUS?».
«DINHEIRO DE MACAU»
Anos mais tarde, um senhor que fora ministro de um governo chefiado por MÁRIO SOARES, ROSADO CORREIA, vinha de Macau para Portugal com uma mala com dezenas de milhares de contos. *A proveniência do** dinheiro era tão pouco limpa que um membro do governo de Macau, ANTÓNIO **VITORINO, *foi a correr ao aeroporto tirar-lhe a mala à última hora. Parece que se tratava de dinheiro que tinha sido obtido de empresários chineses com a promessa de benefícios indevidos por parte do governo de Macau. Para quem era esse dinheiro foi coisa que nunca ficou devidamente esclarecida. O caso EMAUDIO (e o célebre fax de Macau) é um episódio que envolve destacadíssimos soaristas, amigos íntimos de Mário Soares e altos dirigentes do PS da época soarista. MENANO DO AMARAL chegou a ser responsável pelas finanças do PS e Rui Mateus foi durante anos responsável pelas relações internacionais do partido, ou seja, pela angariação de fundos no estrangeiro.
Não haveria seguramente no PS ninguém em quem Soares depositasse mais confiança. Ainda hoje subsistem muitas dúvidas (e não só as lançadas pelo livro de Rui Mateus) sobre o verdadeiro destino dos financiamentos vindos de Macau. No entanto, em tribunal, os pretensos corruptores foram processualmente separados dos alegados corrompidos, com esta peculiaridade (que não é inédita) judicial: os pretensos corruptores foram condenados, enquanto os alegados corrompidos foram absolvidos.
Aliás, no que respeita a Macau só um país sem dignidade e um povo sem brio nem vergonha é que toleravam o que se passou nos últimos anos (e nos últimos dias) de administração portuguesa daquele território, com os chineses pura e simplesmente a chamar ladrões aos portugueses. E isso não foi só dirigido a alguns colaboradores de cartazes do MASP que a dada altura enxamearam aquele território.
Esse epíteto chegou a ser dirigido aos mais altos representantes do Estado Português. Tudo por causa das fundações criadas para tirar dinheiro de Macau. Mas isso é outra história cujos verdadeiros contornos hão-de ser um dia conhecidos. Não foi só em Portugal que Mário Soares conviveu com pessoas pouco recomendáveis. Veja-se o caso de BETINO CRAXI, o líder do PS italiano, condenado a vários anos de prisão pelas autoridades judiciais do seu país, devido a graves crimes como corrupção. Soares fez questão de lhe manifestar publicamente solidariedade quando ele se refugiou na Tunísia.
Veja-se também a amizade com Filipe González, líder do Partido Socialista de Espanha que não encontrou melhor maneira para resolver o problema político do país Basco senão recorrer ao terrorismo, contratando os piores mercenários do lumpen e da extrema direita da Europa para assassinar militantes e simpatizantes da ETA.
Mário Soares utilizou o cargo de presidente da República para passear pelo estrangeiro como nunca ninguém fizera em Portugal. Ele, que tanta austeridade impôs aos trabalhadores portugueses enquanto primeiro-ministro, gastou, como Presidente da República, milhões de contos dos contribuintes portugueses em passeatas pelo mundo, com verdadeiros exércitos de amigos e prosélitos do soarismo, com destaque para jornalistas. São muitos desses «viajantes» que hoje se põem em bicos de pés a indignar-se pelas declarações dos governantes angolanos.
Enquanto Presidente da República, Soares abusou como ninguém das distinções honoríficas do Estado Português. Não há praticamente nenhum amigo que não tenha recebido uma condecoração, enquanto outros cidadãos, que tanto mereceram, não obtiveram qualquer distinção durante o seu «reinado». Um dos maiores vultos da resistência antifascista no meio universitário, e um dos mais notáveis académicos portugueses, perseguido pelo antigo regime, o Prof. Doutor Orlando de Carvalho, não foi merecedor, segundo Mário Soares, da Ordem da Liberdade. Mas alguns que até colaboraram com o antigo regime receberam as mais altas distinções. Orlando de Carvalho só veio a receber a Ordem da Liberdade depois de Soares deixar a Presidência da República, ou seja logo que Sampaio tomou posse. A razão foi só uma: Orlando de Carvalho nunca prestou vassalagem a Soares e Jorge Sampaio não fazia depender disso a atribuição de condecorações.
FUNDAÇÃO COM DINHEIROS PÚBLICOS
A pretexto de uns papéis pessoais cujo valor histórico ou cultural nunca ninguém sindicou, Soares decidiu fazer uma Fundação com o seu nome. Nada de mal se o fizesse com dinheiro seu, como seria normal. Mas não; acabou por fazê-la com dinheiros públicos. SÓ O GOVERNO, DE UMA SÓ VEZ DEU-LHE 500 MIL CONTOS E A CÂMARA DE LISBOA, PRESIDIDA PELO SEU FILHO, DEU-LHE UM PRÉDIO NO VALOR DE CENTENAS DE MILHARES DE CONTOS. Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Alemanha ou em qualquer país em que as regras democráticas fossem minimamente respeitadas muita gente estaria, por isso, a contas com a justiça, incluindo os próprios Mário e João Soares e as respectivas carreiras políticas teriam aí terminado. Tais práticas são absolutamente inadmissíveis num país que respeitasse o dinheiro extorquido aos contribuintes pelo fisco. Se os seus documentos pessoais tinham valor histórico Mário Soares deveria entregá-los a uma instituição pública, como a Torre do Tombo ou o Centro de Documentação 25 de Abril, por exemplo. Mas para isso era preciso que Soares fosse uma pessoa com humildade democrática e verdadeiro amor pela cultura. Mas não. Não eram preocupações culturais que motivaram Soares. O que ele pretendia era outra coisa. Porque as suas ambições não têm limites ele precisava de um instrumento de pressão sobre as instituições democráticas e dos órgãos de poder e de intromissão directa na vida política do país. A Fundação Mário Soares está a transformar-se num verdadeiro cancro da democracia portuguesa.»
Candidato à Junta de Freguesia de Vila das Aves
pela CDU (Coligação Democrática Unitária)
Bases programáticas eleitorais para o concelho de Santo Tirso
Urge olhar para o concelho de Santo Tirso, por um lado, com a consciência da responsabilidade de sabermos que estamos em pleno século XXI, e por outro, com a convicção que, conjuntamente com toda a população, ultrapassaremos estes mais de trinta anos de estagnação e subserviência cega e desmesurada às elites que detêm e suportam o poder executivo autárquico.
É consabido que as orientações políticas, económicas, sociais e educacionais, nos últimos trinta anos, que Castro Fernandes e o PS têm levado a cabo, redundaram num concelho com poucos serviços, menos indústrias do que já teve, com um comércio atípico, sem investimentos, incapaz de fixar novos saberes, novas experiências, novas razões.
É certo que, nos próximos dias, o executivo PS e Castro Fernandes, se apressarão a desmentir o indesmentível.
Para eles, tudo está bem, um “Santo Tirso dinâmico, solidamente estruturado, caminha a velocidade estonteante para o progresso”.
Encherão páginas e páginas de papeis programáticos e de ilusões para o consumo das populações.
Quem não se lembra das promessas com que, a cada ciclo eleitoral, Castro Fernandes e o PS invadem o concelho?
Uma rede viária, parques industriais, novas indústrias, ensino universitário, transportes, cine-teatro, cultura, lazer.
Passados mais de trinta anos, é magnífico ver repristinações dessas quiméricas realizações.
A requalificação do Vale do Ave – foi anunciada há quinze anos!
O cine-teatro, há mais de quinze anos!
Novas indústrias no concelho, desde sempre!
Novos serviços, acompanham cada ciclo eleitoral.
Monte Padrão é tão jurássico como as ruínas que contém!
Enfim, o atraso, o isolamento, a carência de tudo, são as realidades que Castro Fernandes e o PS legam aos Tirsenses.
Quem olvida o facto – lesa-concelho – de Castro Fernandes e do PS, terem encerrado valências no nosso hospital, e terem permitido que as mesmas fossem deslocadas para Vila Nova de Famalicão?
Quem ignora que, para uma simples ecografia, os habitantes do nosso concelho têm que se deslocar a Vila Nova de Famalicão?
Quem esquece que, no dia seguinte ao encerramento de várias unidades do hospital – porque obsoletas – sem condições, técnicos, disse Castro Fernandes, o actual presidente da câmara, pomposa e ufanamente, que a Câmara Municipal, com grande agrado e honra, cedeu terreno municipal, para que um grupo privado de investidores construísse um hospital privado?
A quem serve e servirão os anunciados parques privados de estacionamento, os cirúrgicos arranjos urbanísticos, as novas vias rasgadas?
Ao comum dos cidadãos não certamente!
É por isso que, e para acabar com isto, é vital, e da máxima importância o reforço da votação na CDU!
Tal reforço, traduzir-se-á num maior número de eleitos nas freguesias, na assembleia municipal e no executivo camarário.
Eu não acredito em fazedores de opinião, mas, lá que os há…há…, estas criaturas têm ao seu serviço e dispor, uma enorme quantidade de meios de comunicação social, jornais, rádios, televisão e sondagens encomendadas como mais uma vez ficou provado nestas recentes eleições para o Parlamento Europeu. Estas criaturas, estão-se nas tintas para os efectivos resultados eleitorais, isto enquanto o Sol não passar pela Lua, porque no dia em que se der o eclipse total, esses lambisgóias, vão dar início à sua travessia no deserto. Sem pretender reivindicar o que quer que seja, é sabido e conhecido o avanço espectacular dos partidos à esquerda do PS, isto é, a prova provada dos efeitos das políticas de direita que o PS tem vindo a implementar, em que o PSD tem sido um mero espectador, uma vez que o PS lhes ocupou o seu espaço ideológico. Em jeito de comparação, dir-se-ia, que o governo PS teve aqui um papel de “cuco”, ao depositar os ovos no ninho da direita. A nível do Parlamento Europeu, somos confrontados com o poder dominado pela direita, com a liderança de Nicolas Sarkozi, Angela Merkel e o conhecido playboy Sílvio Berlusconi e companhia, perante um partido socialista que se diz de esquerda e cada vez mais, de cedência em cedência a assistir impávido e sereno a todo este degradante espectáculo. Mas, ao avaliar esta situação, já nada me surpreende porque conheço alguns potenciais socialistas cá da terra, que tem o desplante de me dizer que já não há direita nem esquerda e que o capitalismo e a luta de classes, é uma cassete do Partido Comunista. Ora isto, meus amigos, por estranho que pareça era exactamente um dos fortes argumentos ideológicos do então fascista Benito Mussolini, quando arrebanhou o povo para tomar o poder na Itália. Tanto assim é, que uma vez no poder, ilegalizou os sindicatos e implementou o corporativismo, passando os interesses dos trabalhadores a ter que convergir com os interesses dos patrões, um pouco aquilo que o Presidente da República Cavaco Silva e João Proença da UGT querem que aconteça na Autoeuropa de Palmela, avaliar pelas inadmissíveis ingerências, pressões e chantagens que estão a exercer sobre os trabalhadores, para que estes, aceitem assinar um acordo para trabalhar aos sábados sem remuneração, sob-pena se não o fizerem serão despedidos ou haverá uma deslocalização da empresa, não porque esteja em causa incomportáveis verbas que a empresa não possa pagar, mas, trata-se como é óbvio de mais um aproveitamento da dita “crise” criada por eles, que tem por finalidade exercer de pura chantagem e uma autêntica humilhação dos trabalhadores portugueses, sobretudo com fins psicológicos em vista à desarticulação dos seus interesses e das suas lutas de classe. Perante estas intrigantes notícias, assistimos como sempre, quando deparamos com estas situações, ao silêncio ensurdecedor dos arautos da liberdade e da democracia de figuras como Mário Soares, Jorge Sampaio e muitos outros seus apaniguados.